Amazonas Política

Secretário de Segurança de Wilson Lima foi acusado pela PF de negociar com chefe da FDN

O recém nomeado pelo governador Wilson Lima (PSC) como secretário de Segurança Pública do Estado, coronel Louismar Boantes, já teve o nome citado em uma matéria especial do jornal Folha de São Paulo, onde mostra o futuro secretário de Wilson Lima, negociando com, “Zé Roberto”, líder de uma das maiores facções criminosas do país, a FDN (Família do Norte).

A matéria mostra que a FDN, mantinha uma cela especial denominada de “cela de comando” no COMPAJ (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) e negociava com Louismar Bonates para entrarem em um acordo para instaurar a tão desejada “paz” nos presídios no ano de 2015.

A investigação sobre a FDN, denominada Operação La Muralla e conduzida pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, apontou que o comando da facção, formado por seis presos, mantém “um controle quase total do sistema”
penitenciário por meio de “homicídios e torturas”. Com a interceptação de mensagens eletrônicas trocadas por um dos chefes da FDN, José Roberto Fernandes Barbosa, a PF apontou que o governo estadual fez um acerto com a facção por volta de julho de 2015, em uma reunião na biblioteca do Compaj.

De acordo com a PF, “Zé Roberto” disse ter recebido a garantia do coronel Louismar Bonates, então secretário de Administração Penitenciária da gestão José Melo (Pros), de que não seria transferido para um presídio federal. Com a interceptação de mensagens eletrônicas trocadas por um dos chefes da FDN, José Roberto Fernandes Barbosa, a PF apontou que o governo estadual fez um acerto com a facção por volta de julho de 2015, em uma reunião na
biblioteca do Compaj.

O governo José Melo (Pros) diz desconhecer qualquer negociação, afirma que não compactua com essa prática e que o interlocutor citado não integra mais a administração. A investigação resultou em mais de 130 denunciados e 30 ações penais, mas ainda sem acusação formal a integrantes da cúpula do governo. O líder da FDN manifestou, em mensagens eletrônicas, apoio à eleição do governador do Amazonas em 2014 e a intenção de ampliar a influência da facção para a política.

“Zé Roberto” foi transferido para um presídio federal em novembro de 2015, mas somente após a deflagração da Operação La Muralla. Em denúncia protocolada na Justiça Federal em fevereiro passado, a Procuradoria da República no Amazonas afirmou que houve vazamento de informações para os líderes da FDN sobre uma vistoria que deveria ter sido de surpresa no Compaj. Ele teria partido de dois PMs que fizeram a escolta de “Zé Roberto” para sessão de fisioterapia.

Via: Folha de São Paulo