1.5 mil objetos ilícitos: ninguém sabe, ninguém viu!

por Alex Mendes
1.5 mil objetos ilícitos: ninguém sabe, ninguém viu!

Desde o dia 5 de janeiro até o último dia 27, foram apreendidos de dentro das unidades prisionais de Manaus, cerca de 1,5 mil objetos ilícitos. Deste total, 18% (272), segundo levantamento feita pela equipe de reportagem, foram celulares. De acordo com o secretário da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), tenente-coronel Cleitman Rabelo, apenas um funcionário foi preso por suspeita de facilitar a entrada de objetos.

As revistas passaram a ser intensificadas depois dos massacres, no começo do ano, que resultaram na morte de 64 internos, dos quais 56 foram mortos somente no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Mesmo com o rigor, a polícia voltou a encontrar objetos como armas, celulares drogas e dinheiro, em unidades prisionais que já haviam sido revistadas em menos de 15 dias.

Na última quinta-feira, por exemplo, a Seap apreendeu dentro do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), onde estão presos 1.194 detentos, 14 celulares, 56 estoques, 16 marteletes, 115 porções de droga e R$ 500. A mesma unidade já havia sido alvo de inspeção, no último dia 12. Na ocasião foram encontrados R$ 725,95, dez porções de droga, 381 estoques, 45 ferramentas, 66 celulares, três algemas, 32 carregadores de celular, 53 ‘terezas’ e uma balança de precisão.

A Seap já havia realizado uma revista no Compaj, no dia 6, logo após o massacre, de onde foram retirados armas, celulares entre outros objetos. A unidade, segundo Rabelo, voltou a ser inspecionada no último dia 22. No local, a polícia encontrou 26 celulares, 15 baterias, 19 munições de calibre 80, uma munição de calibre ponto 40, oito marteletes artesanais, um serrote, três alicates, três tesouras, oito facas, um estilete, uma chave de fenda, seis estoques, dois chips, um cartão de memória, quatro pen drives e duas pulseiras de saída de visitantes.

A penitenciária onde mais foram apreendidos materiais ilícitos foi a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na zona leste. Do local, no último dia 5, foram retirados 360 objetos ilícitos, entre eles: uma pistola calibre 380, 105 celulares, 93 baterias, 58 carregadores, 30 chips, 17 garrafas de bebida alcoólica, nove pen drives, nove porções de entorpecente, 38 estoques e um modem de internet.

De acordo com o secretário, para a Seap existem várias possibilidades de armas, drogas e outros utensílios entrarem na cadeia. Uma delas, segundo ele parte da ‘ajuda’ do próprio servidor das unidades, tanto os agentes carcerários quanto os policiais militares. Outra suspeita é que os familiares dos detentos ingressam nas prisões com esses materiais, além de outras pessoas que arremessam material para dentro das prisões.

“Nós estamos trabalhando essas três situações. Já pegamos familiares tentando entrar com droga, um agente que tentou entrar com material ilícito e agora tivemos problemas com uma advogada, que estamos apurando se ela entregou ou não dinheiro a um detento. A Seap administra o sistema, quem executa os serviços é a Umanizzare (empresa terceirizada). Estamos observando a conduta de todos”, afirmou Rabelo.

O agente que tentou entrar com material ilítico no último dia 15, no Compaj, não teve o nome revelado, mas é funcionário da Umanizzare. Aos familiares que são flagrados entrando com itens não permitidos como dinheiro e outros objetos, é aplicada como punição a suspensão da visita por um período de ao menos 30 dias. No entanto, quando o flagrante é por droga ou armas, são encaminhados a delegacia onde são responsabilizados por tráfico ou porte.

 

 

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