Em Manaus, ação orquestrada instala caos e obriga empresas a recolherem ônibus

por Alex Mendes
Em Manaus, ação orquestrada instala caos e obriga empresas a recolherem ônibus

Uma ação descaradamente orquestrada possivelmente por oposicionistas ao prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), instalou o caos na cidade na noite desta quinta-feira (23) e obrigou as empresas de transporte coletivo a recolherem os ônibus a partir das 22h, deixando milhares de usuários sem o serviço, além de uma sensação de insegurança em todas as zonas da capital.

 

Só nesta quinta, quatro ônibus foram incendiados e vândalos só não conseguiram incendiar mais dois coletivos porque foram impedidos por motoristas. Em entrevista ao site G1 Amazonas, uma testemunha dos atos de vandalismo disse que o grupo chegou a falar que estava “apenas cumprindo ordens”. “Eles não vieram só para roubar”, disse a pessoa, que não quis ser identificada.

 

Nas ruas, a população está cada vez mais revoltada com o governador José Melo (Pros), que suspendeu o subsídio antes concedido pelo Estado para as empresas de transporte coletivo de Manaus. Por conta disso, a Prefeitura foi obrigada a aumentar o valor da passagem de ônibus, que passará de R$ 3,30 para R$ 3,80, a partir de sábado (25).

 

Em nota, divulgada na noite desta quinta-feira (23), a Prefeitura de Manaus lamentou os episódios ocorridos esta noite, se solidarizou com os usuários de ônibus e disse que durante esses episódios havia poucas viaturas de polícia circulando na cidade e o único que justificaria a concentração delas não passou de um “batidão” de presos na Cadeia Pública Vidal Pessoa, segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap).

 

A Prefeitura informou ainda que, como medida emergencial, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) liberou, desde as 21h, os ônibus alternativos e executivos para circular em todas as áreas da cidade.

 

“Espera-se que o Governo do Amazonas retome o controle da segurança pública. O manauara não merece que o descalabro na segurança permita que o banho de sangue ocorrido nos presídios extrapole para as ruas”, finaliza a nota.

 

Vingança de Melo

 

A decisão de José Melo de retirar a isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do combustível vendido às empresas de ônibus do transporte coletivo convencional e de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) é apenas um jogo político. A intensão do governador é tentar manchar a imagem do prefeito Arthur Neto e de seu vice, Marcos Rotta (PMDB), a fim de enfraquece-los para a campanha eleitoral do ano que vem.

 

Melo só esqueceu de combinar com a população, que está cada vez mais bem informada, principalmente através das redes sociais, e foi às ruas na noite desta quinta-feira protestar contra a decisão do Governo. A população insatisfeita afirma que Melo castiga duramente o usuário do transporte coletivo para obter vantagens em seus projetos políticos.

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