Site de Silas Câmara é bancado pelo governo do Amazonas.

por Alex Mendes

O deputado Silas Câmara vem usando um site, o “Amazonas Cristão”, para atacar adversários e plantar intrigas políticas. Detalhe: a iniciativa é bancada pelo Governo do Estado, que é o principal – talvez único – patrocinador da página, em que aparece com um enorme anúncio, coisa que nem nos maiores portais do Estado acontece.

Há uma semana, o site anunciou uma disputa entre o senador Eduardo Braga e o prefeito Arthur Neto pelo Governo do Estado em 2018. Era uma intriga plantada entre os dois aliados, com o claro objetivo de desestabilizar a aliança.

Ontem, a mesma página afirmou que o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, pastor José Wellington Bezerra, havia “ofendido” o Amazonas, ao citar, em reunião da entidade, que um juiz havia aprovado a união de um homem com duas mulheres no Estado. E relacionou o fato ao apoio concedido pelos deputados Wanderley Dallas e Francisco Souza ao religioso, que disputa com o irmão de Silas, Samuel Câmara, a presidência da maior igreja evangélica do país, em eleição marcada para abril.

Bezerra é um antigo desafeto da família Câmara. Já venceu duas vezes o mesmo Samuel na disputa pela presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil. Dallas e Souza romperam com o grupo que comanda o núcleo político da Assembleia de Deus em 2015. Hoje atuam independentes.

Em outubro passado, Silas foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por falsidade ideológica, mas acabou não cumprindo a pena porque o caso foi julgado após o prazo estabelecido em lei para vigência da denúncia. Ele responde a pelo menos mais dois processos no mesmo foro.

Em janeiro último, descobriu-se que Silas é lobista da empresa Umanizzare, que administra o Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde ocorreu o massacre que ocasionou a morte de 56 detentos, no primeiro dia do ano. Ele, a mulher, Antonia Lúcia, e a filha, Gabriela, receberam vultosos valores a título de ajuda para as respectivas campanhas eleitorais, em 2014.

Ao que tudo indica, Silas decidiu agora reagir, usando um site bancado com dinheiro público – como, aliás, ocorre com todas as iniciativas, mesmo as privadas, do parlamentar – para atacar adversários e plantar intrigas

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