Estrutura de combate ao crime está diminuindo no Amazonas, diz delegado

por Alex Mendes
Estrutura de combate ao crime está diminuindo no Amazonas, diz delegado

Manaus – A estrutura de combate ao crime está diminuindo, no Amazonas, alerta o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepol-AM), delegado Rafael Costa e Silva. Segundo ele, desde 2011, foram construídas 13 delegacias, mas sem aumento no efetivo policial. “Precisamos investir nas equipes de investigação. Estamos sem material humano e os dois últimos governadores têm ciência dessa necessidade”, disse.

De acordo com o delegado, hoje apenas oito delegacias funcionam como bases de flagrante. “Em todas as delegacias se conseguia receber o flagrante apresentado pela Polícia Militar. A sociedade aumenta, a criminalidade aumenta, mas a estrutura de combate só tem diminuído. Os governadores têm que ter a atenção voltada para essa estrutura da polícia”, afirmou.

Costa e Silva participou, nesta terça-feira (20), do programa A Voz do Povo, da TV DIÁRIO, na RECORD NEWS MANAUS. O programa é exibido de segunda a sexta-feira, às 11h30. Nesta terça, o programa mostrou o sofrimento dos comerciantes na zona oeste de Manaus.

Assista ao programa completo

Para o presidente do Sindepol, a sociedade precisa cobrar do poder público medidas de reestruturação da segurança pública do Estado. “Enquanto nós vemos malfeitores transitando por aí, provocando ameaças, atirando, assaltando, a impunidade cerca a nossa sociedade”, disse Costa e Silva.

O comerciante Evandro Aquino, que há mais de dez anos se dedica ao comércio na zona oeste, disse que precisa atender os consumidores atrás das grades. “A situação do comerciante é o tempo todo preso, enquanto os bandidos estão soltos. Há um mês assaltaram a gente, bateram na gente e nós não temos para quem recorrer. É difícil falar, mas a realidade é essa aqui. A gente vive trabalhando com medo, podendo receber a qualquer hora uma notícia triste. Estamos o tempo todo abandonados aqui”, disse.

Ainda segundo Aquino, a sensação é de humilhação. “O bandido, quando chega, não chega para conversar, para dialogar. Já chega com uma pistola engatilhada, ameaçando matar a gente. Vai todo mundo pro chão e leva o que a gente tem. Bate na gente e ninguém resolve nada. Cadê nossos governantes?”, questionou.

A moradora do bairro Alvorada 3, Daiane Aline, disse que evita sair de casa, o que não impede a ação dos bandidos. “Você está à vontade, em casa, e quando percebe, o ladrão já está lá. Na Rua 14, esses dias, nossa vizinha estava em casa quando um assaltante entrou e levou tudo”, disse.

O estudante Ismael Mendes, do bairro Alvorada, disse que presenciou há duas semanas um arrastão na Escola Estadual Senador Manoel Severiano Nunes.

Para João Campos, morador do bairro da Paz, é difícil até usar celular na rua, sob risco de ser assaltado. “Você não pode usar relógio, não pode usar nada. Meu filho teve o celular roubado quando saiu do emprego e os assaltantes fazem graça, dizendo que o pessoal do presídio é que pede o celular. Nós nos sentimentos abandonados”, disse.

 Fonte: D24 aM

Leia também