Como a política transforma médicos em empresários milionários

por Alex Mendes
Como a política transforma médicos em empresários milionários

Velhos conhecidos da política amazonense se articulam para voltar ao cenário. Francisco Deodato Guimarães, que até ano passado administrou a Secretária de Estado da Saúde (Susam) e seu braço direito, Orestes Guimarães, estão em tratativas para retomar seus negócios empresariais na área da saúde pública. Ambos são nomes bastante conhecidos em órgãos da Justiça, inclusive na Polícia Federal.


O Tribunal de Contas do Estado (TCE), por exemplo, investiga há dez anos (e a passos de tartaruga), uma denúncia de acúmulo de cargos contra Francisco Deodato Guimarães e Orestes Guimarães. Nos bastidores da política, o comentário é que os dois são sócios e Orestes Guimarães é quem paga os cartões de crédito de Deodato.


Segundo o relatório enviado ao secretário-geral de Controle Externo do TCE à época Pedro Augusto Oliveira, a Ouvidoria e a Secretaria de Controle Externo de Admissões, Aposentadorias e Pensões (Secap) detectaram irregularidades referentes ao acúmulo de cargos e remunerações indevidos na Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e na Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

Foi constatado, após análise do cadastro de pessoal junto ao Sistema de Processamento de Dados do Amazonas (Prodam), que o ex-secretário Francisco Deodato acumulava três cargos indevidamente, sendo um comissionado como secretário municipal e dois de médico da Susam.

O mesmo aconteceria com o então subsecretário Orestes Guimarães, que acumulava junto com o cargo comissionado que exercia na prefeitura outro de Técnico Administrativo na Susam.


Segundo o relatório, o procedimento aguarda revisão e orientação do conselheiro ouvidor quanto às providências que serão tomadas. Junto com o documento, estariam cópias dos espelhos extraídos do sistema da Prodam, ficha funcional e os decretos de nomeação publicados no Diário Oficial do Estado.

Um secretário municipal recebia à época mensalmente um salário de, aproximadamente, R$ 12 mil. De acordo com o Plano de Cargos, Carreira e Salários dos médicos da Susam, um médico que trabalhe na capital pode receber R$ 4.428, em início de carreira e, com um contrato de 20 horas semanais, até R$ 12.960 (especialistas), valor pago aos médicos especialistas com contrato de trabalho de 40 horas semanais. Já um servidor com nível superior, recebe um salário de R$ 5.035,74.

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