Atriz é parada em blitz e ouve de PM: “Sua profissão é suspeita, atores usam drogas”

por Naief Queiroz
Atriz é parada em blitz e ouve de PM: “Sua profissão é suspeita, atores usam drogas”

Foto: Divulgação

A atriz Kika Kalache, conhecida por papéis em novelas como “O Clone” (TV Globo) e mais recentemente “Jesus” (Record), foi parada em uma blitz na noite desta quinta-feira no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, quando voltava de um jantar com o marido, e ficou surpresa com a justificativa de um policial militar, que a reconheceu, para revistar seu carro. Segundo a atriz, o PM, que parava veículos em busca de armas e drogas, afirmou que a profissão de Kika é “suspeita”, porque “atores usam drogas”.

— Parei o carro e perguntei o que estava acontecendo. Ele disse que era uma blitz para procurar armas e drogas. Ri e perguntei: “tenho cara de suspeita?”. Ele respondeu: “a sua profissão é suspeita. Atores usam drogas. Já parei um ator aqui hoje e ele estava com maconha. Vou ter que revistar tudo. Vocês são suspeitos e isso são ordens do governador (Wilson Witzel)” — conta a atriz em entrevista ao EXTRA.

O carro de Kika e seus objetos pessoais foram, então, revistados. Em seguida, a atriz foi liberada.

— (O PM) começou a revistar minha bolsa, a maquiagem, a checar tudo. Olhou com lanterna, olhou a mala inteira. Ai disse: “a senhora não tem nada, agora vai” — conta a atriz em entrevista ao EXTRA.

O relato de Kika, gravado em um áudio, se espalhou em grupos no WhatsApp e redes sociais nesta sexta-feira. A atriz diz que não esperava que a gravação fosse chegar tão longe.

— Fiquei em estado de choque. Pode ser uma maluquice daquele policial, mas a sensação que dá é que vai ser assim: revistem negros, surfistas, possíveis marginais, artistas, músicos. Achei isso, em 2019, muito assustador, muito significativo. Me deu medo, sabe? Vão criminalizar a gente assim? — questionou.

Por meio de nota, o comandante do 23º BPM (Leblon) afirma que não compactua com qualquer desvio de conduta de seus policiais e que vai identificar o policial, ouví-lo e, a partir daí, tomar as providencias cabíveis.

O comandante do batalhão também informou, por meio de nota, que convida a atriz para ir à Unidade “no sentido de expor sua queixa e para ajudá-lo na identificação dos policiais ou do policial”.

Extra

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