Entretenimento Famosos

Fãs, parentes e amigos se despedem do ator Lúcio Mauro em velório no Theatro Municipal

O corpo de Lúcio Mauro é velado na manhã desta segunda-feira (13) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Centro. O ator e humorista morreu no fim da noite de sábado (11) aos 92 anos. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio, por problemas respiratórios.

Lúcio Mauro era pai do ator Lúcio Mauro Filho, que exaltou a vida e obra do pai em entrevista à GloboNews no domingo (12).

“É um legado muito lindo, muito especial de um homem que viveu uma vida plena. A gente comenta muito que não teve tragédia aqui, um homem de 92 anos que trabalhou até os 89, até ter o AVC. Então, que vida maravilhosa foi essa!”, relembrou.

Coroa de flores enviada pelo cantor Zeca Pagodinho ao velório de Lúcio Mauro — Foto: Raísa Pires / G1

Coroa de flores enviada pelo cantor Zeca Pagodinho ao velório de Lúcio Mauro — Foto: Raísa Pires / G1

O humorista Fábio Porchat disse que aprendeu muito com Lúcio Mauro. “Se a gente tá aqui hoje é por conta do Lúcio. É um cara que fez do humor a sua vida e a nossa vida também como espectador e a minha como comediante. Eu acho que um grande mestre quando vai, ainda fica. E ele tá aqui, tá em mim. Eu fico triste que ele se foi, mas fico reconfortado porque ele foi descansar. Fico feliz de poder estar aqui junto com a família”, garantiu.

Fábio Porchat no velório de Lúcio Mauro — Foto: Raísa Pires / G1

Fábio Porchat no velório de Lúcio Mauro — Foto: Raísa Pires / G1

Muito emocionada, a diretora da Escolinha do Professor Raimundo, Cininha de Paula, disse que as gravações da 5ª temporada começam amanhã. “Poxa, Lúcio, podia ter esperado mais um pouquinho para me ajudar”, disse, emocionada, olhando para o céu.

O velório estava previsto para começar às 9h, mas houve um pequeno atraso e as portas do Theatro Municipal foram abertas às 10h05. O corpo do ator será cremado no cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio, em uma cerimônia restrita aos familiares.

Ator Marcos Oliveira, o Beiçola de A Grande Família, abraça Lúcio Mauro Filho  no velório do pai — Foto: Raísa Pires / G1

Ator Marcos Oliveira, o Beiçola de A Grande Família, abraça Lúcio Mauro Filho no velório do pai — Foto: Raísa Pires / G1

Humorista Fábio Porchat ao lado da família de Lúcio Mauro — Foto: Raísa Pires / G1

Humorista Fábio Porchat ao lado da família de Lúcio Mauro — Foto: Raísa Pires / G1

Estreia na Globo em 1966

Lúcio de Barros Barbalho, mais conhecido como Lúcio Mauro, nasceu em Belém do Pará, no dia 14 de março de 1927. Estreou na Globo em 1966, ao lado de Soares, Agildo Ribeiro, Paulo Silvino e outros, sob direção de Augusto César Vannucci.

O ator integrou o elenco de alguns dos principais programas de humor da emissora, como “Chico City” (1973), “Os Trapalhões” (1989) e “Escolinha do Professor Raimundo” (1990).

Lúcio Mauro participou da criação, dirigiu e atuou em outras dezenas de programas de humor na televisão, com destaque para “Balança Mas Não Cai” (1968), escrito por Max Nunes e Haroldo Barbosa, e transmitido, ao vivo, até 1971.

Lúcio Mauro com o jogador Zico e Sônia Mamede em 'Balança Mas Não Cai', onde surgiu a dupla de personagens Fernandinho e Ofélia, em 1968 — Foto: Acervo TV Globo

Lúcio Mauro com o jogador Zico e Sônia Mamede em ‘Balança Mas Não Cai’, onde surgiu a dupla de personagens Fernandinho e Ofélia, em 1968 — Foto: Acervo TV Globo

O programa tinha o quadro Ofélia e Fernandinho, estrelado por Lúcio e Sônia Mamede (1936-1990).

Trabalhou no musical “Viva a Revista!” (1969) e foi ator e diretor do programa de humor “Uau, a Companhia” (1972). Quando “Balança Mas Não Cai” foi para a TV Tupi, nos anos 1970, ele acompanhou os colegas do programa e deixou a Globo por um tempo.

Voltou para integrar o elenco de “Chico City” no fim da década. Ficou marcado como o diretor do ator canastrão Alberto Roberto, interpretado por Chico Anysio.

Em seguida, voltou a dirigir e atuar na nova versão de “Balança Mas Não Cai” (1982) na Globo, sendo também diretor de “A Festa é Nossa”, semanal que tinha como cenário fixo a cobertura de Ofélia e Fernandinho.

Lúcio Mauro como Aldemar Vigário em 'Escolinha do Professor Raimundo'. Mauro participou do programa de 1990 a 1994 — Foto: Acervo TV Globo

Lúcio Mauro como Aldemar Vigário em ‘Escolinha do Professor Raimundo’. Mauro participou do programa de 1990 a 1994 — Foto: Acervo TV Globo

Aldemar Vigário

Ainda na década de 1980, Lúcio Mauro participou de “Chico Anysio Show” (1982) e “Os Trapalhões” (1989), revivendo com Nádia Maria a dupla Fernandinho e Ofélia. Em 1983, interpretou o médium Chico Xavier no “Caso Verdade Chico Xavier, um Infinito Amor”.

Em 1988, fez uma participação na minissérie “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, como Dr. Quindim.

Na década de 1990, viveu Aldemar Vigário, da “Escolinha do Professor Raimundo”, sempre bajulando o professor interpretado por Chico Anysio. Trabalhou em um episódio de “Você Decide” (1992), foi do elenco de “Malhação” (1995), atuando como Dr. Palhares, pai do Mocotó (André Marques), e atuou na novela infantil “Caça-Talentos” (1996), com Angélica.

Em seguida, integrou o elenco de “Chico Total” (1996). Em 1998, encarnou o bicheiro mafioso Neca do Abaeté na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, escrita por Dias Gomes com base no romance de Jorge Amado.

Lúcio Mauro também viveu o advogado Nonato na segunda versão da novela “Pecado Capital”, de Glória Perez com base no original de Janete Clair; atuou em um episódio de “Sai de Baixo”; e participou em “Meu Bem Querer”, de Ricardo Linhares.

A partir de 1999, Lúcio Mauro retomou personagens em “Zorra Total”. Refez o quadro Fernandinho e Ofélia, desta vez com Claudia Rodrigues. Também integrava o elenco do programa de seu filho, o ator Lúcio Mauro Filho.

Em março de 2001, o humorista voltou à nova temporada da “Escolinha do Professor Raimundo”, vivendo o popular Aldemar Vigário.

Nesta década, participou de “Os Normais”, “A Grande Família”, “A Diarista”, “Sob Nova Direção”, “Programa Novo”, “Faça a Sua História” e “Zorra Total”. Neste último, em 2012, viveu o personagem Ataliba, um vovô surfista, amigo de Gumercindo (José Santa Cruz), um senhor skatista. Os dois tentavam conquistar moças no vagão do Metrô Zorra Total. A dupla reviveu a parceria da estreia de Lúcio Mauro em humor na TV, em 1960.

Em 2007, participou de “Paraíso Tropical”, de Gilberto Braga, como Veloso. Em 2008, esteve na série “Casos e Acasos” e na novela “A Favorita”, de João Emanuel de Carneiro, no papel de Sabiá.

No remake de “Gabriela” (2012), viveu Eustáquio. No penúltimo episódio de “A Grande Família” (2014), Lúcio Mauro interpretou Rui, um amigo de Agostinho Carrara (Pedro Cardoso).

Sua filmografia tem “Terra sem Deus” (1963), de José Carlos Burle; “007 ½ no carnaval” (1966), de Victor Lima; “Redentor” (2004), de Claudio Torres; “Cleópatra” (2008), de Júlio Bressane; e “Muita Calma Nessa Hora” (2010), de Felipe Joffily.

Em 2008, o humorista estreou a peça “Lúcio 80-30”, dividindo o palco com Lúcio Mauro Filho, autor e diretor do espetáculo, e com outros dois filhos, Alexandre Barbalho e Luly Barbalho.

*Estagiária sob supervisão de Janaína Carvalho