Médico da Hapvida em nota, explica morte de criança em Manaus

por Naief Queiroz
Médico da Hapvida em nota, explica morte de criança em Manaus

Após a morte de Arthur Reis de 10 anos, nesta sábado (31), o cirurgião George Butel Tavares emitiu uma nota, explicando a morte  da criança.

Leia a nota na  íntegra

“Compreendo o sentimento desse Pai e a necessidade de exteriorizar, nesse momento difícil, a sua dor. Sou pai e sei o amor que temos por nossos filhos.

Sou Médico. Dediquei horas de minha vida estudando anatomia, fisiologia e patologia para entender o mecanismo do organismo humano. Me aperfeiçoei em Cirurgião Geral em Cirurgia Cardíaca Adulto e, posteriormente, em Cirurgia Cardíaca Pediátrica. Senti necessidade de entender o Ser Humano, a Pessoa que habita esse organismo. Dediquei-me aos estudos das ciências humanas e tornei-me Advogado. Mas tanto conhecimento para ficar guardado comigo? 
Resolvi compartilhar e tornei-me Professor de Medicina.

Nunca, em toda minha trajetória profissional, encontrei-me diante de situação tão atípica. Trabalho como um médico artesão. Conserto Corações que já nascem com defeitos. Estrutura nobre e únca, que chega em minhas mãos distorcida, com furos, faltando peças, frágeis e em falência. Tenho que desafiar a criação da perfeição Divina na tentativa de torná-los mais próximo do normal, funcionais. Nada fácil.

Na medicina, a Cirurgia Cardíaca Pediátrica encontra-se no mais alto grau de complexidade, devido ao alto risco que ela representa. Responsabilidade profissional elevada. Jamais se pode garantir resultados, expôe-se que todos os meios disponíveis estão empregados para se fazer o melhor, mas a medicina não é exata e nem sempre os resultados pretendidos serão alcançados. 

O homem médico não tem o poder da cura, ele trata, mas a cura é competência divina.

Já realizei, aproximadamente, mil cirurgias cardíacas em minha vida. Consegui reverter situações difíceis, quase impossíveis, já ajudei muitas crianças, consertei muitos corações. Mas, lamentavelmente, também já perdi algumas.

Sempre procurei ter uma relação muito aberta com pacientes e familiares. Nunca dou garantias, dou esperanças, que é no que acredito. Explico sempre dos riscos, dos benefícios e se vale a pena tentar, mas sempre dividindo responsabilidade e respeitando a vontade do paciente ou responsável.

 Jamais colocaria em risco a vida de alguém se não fosse em busca de um benefício maior, mas não tenho como prever o futuro. 

Não tenho explicações médica e técnicas para certas coisas que acontecem nesse contexto, pois parece fugir do plano do conhecimento humano. Mas tenha certeza que houve dedicação profissional, que todos os esforços foram feitos, que todos os meios disponíveis para reverter o ocorrido foram empregados, mas lamentavelmente, não temos o controle de tudo.

Pai, penso que não tenho as palavras que você gostaria de ouvir para confortar-te. Mas se no seu coração você acha que falhei, peço te Perdão e compartilho com você essa dor. Neste momento, oro a Deus por você e toda sua família. Mas tenho que continuar minha jornada e busco força em tudo isso para que eu possa continuar meu ofício de poder ajudar crianças que todos os dias nascem com defeitos cardíacos.

Que DEUS te conforte.”.

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