Número de casos de malária em Manaus tem queda de 21,8%, aponta Semsa

por Naief Queiroz

A capital amazonense apresentou em 2019 uma queda de 21,8% no registro de casos de malária em comparação com o ano anterior. Conforme os dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), no ano passado foram notificados 6.522 casos, superando a meta do Plano Anual de Saúde (PAS 2019) que estimava uma redução de 15%.

Em relação à distribuição por zona de Manaus, do total de casos registrados em 2019, 48,2% foram notificados na zona Leste e 29,9% na zona Rural Terrestre, seguindo na zona Rural Fluvial (12,2%), zona Oeste (6,9%), Norte (1,5%) e Sul (0,2%).

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, Manaus apresentou pelo segundo ano consecutivo uma redução de casos de malária. Em 2018 houve diminuição de 20,86% em relação a 2017.

A Semsa informou que tem desenvolvido ações como busca ativa de casos suspeitos; fortalecimento da rede para diagnóstico precoce e tratamento; ações de Educação em Saúde; implantação, monitoramento e reposição de mosquiteiros impregnados com inseticida; aplicação de biolarvicida; borrifação intradomiciliar para o controle do mosquito transmissor da doença; além do monitoramento e avaliação de criadouros.

As ações são executadas por agentes de endemias com o apoio de agentes comunitários de saúde, treinados para reconhecer os sinais e sintomas, e que ainda realizam visita de casa em casa com a coleta de material para exames, entrega medicamentos e supervisão do tratamento quando necessário.

Risco

A malária é doença infecciosa produzida por protozoários do gênero Plasmodium, tendo como principal vetor de transmissão o mosquito Anopheles, e é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um grande problema de saúde pública nos países em desenvolvimento.

O chefe do Núcleo de Controle da Malária da Semsa, João Altecir Nepomuceno da Silva, destaca que o Brasil é o país que mais registra casos de malária na região das Américas e atualmente os estados do Amazonas (43,24%), Pará (21,74%) e Roraima (11,94%) acumulam 76,92% dos casos notificados durante o ano de 2019.

“Mesmo com os bons resultados apresentados nos últimos anos, Manaus ocupa o 3º lugar no ranking nacional com 4,4% de participação no número de casos, e o 3º lugar no ranking estadual com 10,3%”, informou João Altecir.

Distribuição

João Altecir informa ainda que 17,3% dos casos de malária em Manaus foram registrados em localidades caracterizadas como ocupações desordenadas (invasões), com 1.123 notificações de janeiro a dezembro de 2019.

“As áreas de floresta com rico manancial de água limpa são o habitat natural do mosquito transmissor da doença. Quando há invasão nessas áreas, normalmente na periferia da cidade, há um aumento na incidência de malária por conta do crescimento da população suscetível para a picada do mosquito infectado, potencializando o risco de transmissão e de surtos da doença. A Semsa realiza intervenção nessas áreas assim que identifica o risco de aumento de casos, procurando manter o controle da malária”, explica João Altecir.

Além das áreas de ocupação desordenada, João Altecir indica que a prática da piscicultura, abertura de estradas e ramais, balneários, retiros religiosos e outras atividades laborais em áreas de risco, despontam como os principais fatores determinantes para a manutenção e dispersão tanto da doença quanto do vetor de transmissão.

“Os responsáveis por essas atividades devem ter maior atenção para atuar com orientação técnica, avaliando o potencial malarígeno, e com regulamentação sanitária e ambiental adequada”, alerta João Altecir.

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