EUA liberam compra de carne bovina fresca do Brasil após 3 anos

por Naief Queiroz
EUA liberam compra de carne bovina fresca do Brasil após 3 anos

Os Estados Unidos liberaram ontem a importação de carne bovina fresca (in natura) do Brasil, suspensa desde junho de 2017 – eles passaram então a comprar apenas carne enlatada. Os americanos justificavam o embargo com a presença no produto de lesões causadas pela reação à vacina contra febre aftosa. A retomada das vendas depende do envio, pelo governo brasileiro, de uma lista de frigoríficos elegíveis

para a exportação da carne. O mercado acredita que o potencial de venda para os EUA este ano seja de 20 mil toneladas, com receita de US$ 80 milhões. Os números são baixos se comparados ao total exportado pelo Brasil em 2019, que foi de 1,85 milhão de toneladas e US$ 7,6 bilhões. Mas o setor considera que o mercado americano tem potencial de crescimento e é um selo de qualidade para o comércio com outros países. “Os EUA são vitrine pelos padrões de exigências”, disse Bruno Lucchi, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

Os Estados Unidos voltarão a comprar carne fresca do Brasil. A importação estava suspensa desde junho de 2017. À época, os americanos usaram como justificativa para o embargo do produto in natura a presença de lesões causadas pela reação à vacina contra a febre aftosa. De lá para cá, a importação estava restrita apenas ao alimento processado e enlatado.

A reabertura depende do envio, pelo governo brasileiro, de uma lista de frigoríficos elegíveis para a exportação do produto. Antes do embargo, 13 unidades estavam habilitadas a enviar carne aos americanos. O mercado estima um potencial de vendas aos Estados Unidos de 20 mil toneladas e US$ 80 milhões este ano.

Os números são pequenos em relação ao total exportado pelo País no ano passado, de 1,85 milhão de toneladas e US$ 7,6 bilhões. No entanto, além do potencial de crescimento, o setor considera o mercado americano como um selo de qualidade para outras nações.

“É uma ótima notícia para o Brasil. O mercado americano não é tão representativo para nós em termos de volume, mas é muito importante conceitualmente termos esse mercado aberto”, disse ao Estadão/Broadcast a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, afirmou que a abertura acelera o processo de negociação com outros países. “Os Estados Unidos são vitrine pelos padrões de exigências e, exportando para lá, exportamos para qualquer lugar”, disse Lucchi. “Essa reabertura é um passaporte do sistema de sanidade americano dizendo que nossa carne é de boa procedência”, completou Alcides Torres, sócio da Scot Consultoria, especialista em pecuária.

Para o presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, o Brasil deve exportar aos Estados Unidos matéria-prima para fazer hambúrguer. A entidade ainda não tem estimativa de quanto poderá enviar aos americanos.

Carne fraca. Demanda antiga do setor pecuário, a abertura do mercado dos EUA para a carne fresca brasileira ocorreu em setembro de 2016, após longo período de negociação. No entanto, em março de 2017, depois da deflagração da Operação Carne Fraca, pela Polícia Federal, a inspeção foi intensificada e, em junho daquele ano, a compra foi suspensa. A ação policial apontou irregularidades na inspeção sanitária em frigoríficos.

As lesões usadas como argumento para o embargo eram causadas pela reação à saponina e foram resolvidas com a retirada desse produto, utilizado na aceleração da produção da vacina contra a febre aftosa. Além disso, desde o ano passado a dose da vacina foi reduzida de 5 mililitros (ml) para 2 ml. Uma missão americana visitou o País em janeiro deste ano e deu o aval à liberação.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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