Irã supera 3.000 mortos por novo coronavírus

por Naief Queiroz
Irã supera 3.000 mortos por novo coronavírus

O Irã superou a barreira de 3.000 mortes provocadas pela pandemia do novo coronavírus, depois de registrar 138 falecimentos nas últimas 24 horas – anunciaram as autoridades de saúde locais nesta quarta-feira (1).

O país registra agora 3.036 mortos, informou o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianouche Jahanpour, que também anunciou 2.987 novos contágios nas últimas 24 horas. Com isso, chega a 47.593 o número de enfermos da COVID-19 no país.

Ao todo, 15.473 pessoas hospitalizadas receberam alta dos hospitais, de acordo com o porta-voz.

Neste contexto de pandemia, o presidente iraniano, Hassan Rohani, estimou que os Estados Unidos perderam uma “oportunidade históricas” de retirarem as sanções econômicas aplicadas à República Islâmica.

Referindo-se à pandemia, Rohani considerou que os americanos perderam a chance “de seguir um caminho inverso do seu, ruim, e, por pelo menos uma vez, dizer para sua nação que não são contra o povo iraniano”.

Os Estados Unidos “não aprenderam a lição mesmo durante esta difícil situação mundial (…). Era uma questão humanitária. Ninguém os acusaria de voltar” à sua posição, acrescentou ele durante uma reunião do governo transmitida na televisão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou-se unilateralmente em maio de 2018 do acordo nuclear internacional iraniano e restabeleceu duras sanções econômicas contra este país, visando principalmente aos setores bancário e petrolífero iraniano. 

Bens humanitários, incluindo equipamentos médicos e medicamentos, são tecnicamente isentos.

Alemanha, França e Grã-Bretanha, ainda partes do acordo, informaram recentemente a entrega de equipamentos médicos ao Irã como parte do mecanismo Instex para contornar as sanções americanas, usado pela primeira vez.

Criado em janeiro de 2019, o Instex tem como objetivo incentivar o comércio de bens excluídos da lista de sanções. Mesmo nestes casos, as empresas hesitam em se aventurar, por medo de ficarem na mira americana.

O mecanismo deve funcionar como uma câmara de compensação que permita ao Irã continuar vendendo petróleo e importar outros produtos em troca. Até o momento, porém, não havia sido utilizado como base para nenhuma transação.

O Irã também recebeu equipamentos médicos, ou ajuda financeira, de vários países como Alemanha, Azerbaijão, China, Emirados Árabes Unidos, França, Grã-Bretanha, Japão, Catar, Rússia e Turquia.

Depois de fazer tudo para evitar impor medidas de contenção, ou quarentena, o governo iraniano decidiu em 25 de março proibir todos os deslocamentos entre cidades.

A medida, que entrou em vigor dois dias depois e se aplica até 8 de abril, pode ser prorrogada.

Mesmo sem serem oficialmente confinados, os habitantes são convocados, há várias semanas, a ficarem em casa “o máximo possível”.

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