A “renovação política” se envolveu em escândalos de corrupção no amazonas

por Alex Mendes
A “renovação política” se envolveu em escândalos de corrupção no amazonas

Por: Alex Mendes

No período de campanha eleitoral, Wilson Lima (PSC), Delegado Pablo (PSL) e o ex-deputado Luiz Castro (Rede), em 2018, trouxeram o discurso de combater a velha política e mudar o cenário político que o Amazonas viveu nos últimos anos. Dois deles conseguiram se eleger e um assumiu a titularidade de uma secretaria estadual. Mas, com o passar do tempo, todos tiveram o nome envolvido em grandes escândalos de corrupção, indo contra ao que defendiam em suas campanhas.

Lima já teve processo de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), após denúncias de má gestão nos serviços de saúde do Estado. O delegado Pablo Oliva, agora, é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por vários crimes, como lavagem de dinheiro. Já o ex-deputado Luiz Castro teve o nome envolvido em denúncias de corrupção, quando exercia o cargo de secretário de Educação, no governo Wilson Lima.

Com o discurso de que combateria a velha política, Lima foi eleito governador do Amazonas e caminha para seu segundo ano de mandato, com acusações de desvio de dinheiro, superfaturamento, fraudes e licitações direcionadas. O governo do Estado chegou a pagar R$ 2,9 milhões na compra de oito ventiladores pulmonares, adquiridos na loja de vinhos Vinharia Adega, que eram considerados “inadequados” para o tratamento de Covid-19, conforme profissionais de saúde.

Por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, na ALE-AM, o governador será investigado pelos superfaturamento na compra de insumos e equipamentos adquiridos para o combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) chegou a protocolar um pedido de impeachment contra o governador e o seu vice, Carlos Almeida (PTB), mas o processo foi suspenso, na quarta-feira (13), pelo desembargador Wellington Araújo, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), após o deputado Doutor Gomes (PSC), que é do mesmo partido do chefe do Executivo, entrar com uma Ação Direta de Inconstucionalidade (ADI).

No pedido de impeachment, o Simeam alegou que “o patrimônio público foi dilapidado com tantos fomentos a eventos em época de crise, como quando foi patrocinado o evento ‘Peladão à Bordo’, e a Expoagro, que, juntos, custaram mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos, sem contar com os eventos carnavalescos e culturais que viraram rotina nesse governo”.

O Sindicato citou, ainda, o pagamento de R$ 736 milhões a título de gastos das gestões anteriores, no período em que o Estado vive o caos na saúde, com alto número de casos e mortes pelo novo cornavírus.

A denúncia cita ainda o fato de o Hospital Delphina Aziz, considerado referência para o tratamento da Covid-19, operar abaixo de 50% da sua capacidade total. “Mas o instituto responsável pela sua gestão recebe mensalmente o valor integral para execução do contrato”.

A gestão de Wilson Lima respira por aparelhos, e graças aos R$ 50 milhões que o governador vai liberar para os deputados que lhe salvarem da cassação, por meio de emendas impositivas.

Deputado federal é alvo da PF
Aliado de Bolsonaro, o deputado federal Delegado Pablo foi eleito ao defender o fim da corrupção, sendo o segundo mais votado no Estado, com com 151.649 votos. Nesta sexta-feira (15), a Polícia Federal (PF) do Amazonas deflagrou a operação ‘Senorato’, em que o parlamentar é investigado em dois inquéritos pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Pablo Oliva também atuava como delegado da Polícia Federal, desde 2007. Segundo a PF, o agora deputado federal está sendo investigado pela subcontratação, realizada por um consórcio de empresas que atuou na construção do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, para que a empresa, registrada no nome de um familiar dele, executasse o paisagismo do aeroporto, pelo valor de R$ 1,2 milhão.

Ex-deputado acusado de fazer esquema de “mensalinho”
O ex-deputado Luiz Castro, perdeu a última vaga no Senado por menos de 1% dos votos. À época da eleição, ele também era um dos candidatos que prometia renovar a política do Amazonas.

Castro foi secretário de Estado da Educação, mas não aguentou a pressão para permanecer no cargo e pediu demissão, após o empresário Francisco Dantas, da empresa Dantas Transportes, delatar ao Ministério Público do Amazonas (MPE-AM) um esquema de corrupção no contrato de transporte escolar, no valor de R$ 46,6 milhões.

Em sua delação, o empresário disse que a prática de corrupção na secretaria era comandada por Luiz Castro, com pagamento de “mensalinho” e propina a agentes políticos.

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