Com quatro filhos, cabeleireira têm auxílio de R$ 600 negado 3 vezes

por Naief Queiroz

A cabeleireira Gabriela de Jesus Silva (foto em destaque), 37 anos, está vivendo um drama. No dia 5 deste mês, ela foi internada no Hospital Regional do Paranoá (HRPa) para passar por um procedimento cirúrgico. De lá para cá, fez duas operações e, agora, está com suspeita de ter contraído o novo coronavírus. Devido à hospitalização ficou sem qualquer fonte de renda e teve negado, já três vezes, o acesso ao auxílio emergencial pago pelo governo federal para pessoas em situação de vulnerabilidade, durante a pandemia da Covid-19.

Segundo a irmã da paciente, a também cabeleireira Gizeli de Jesus Silva, 40, Gabriela foi internada no início do mês com suspeita de infecção urinária. Após investigações, saiu o diagnóstico: infecção no intestino.

“Ela fez duas cirurgias. Está debilitada. A segunda, ocorreu no domingo (24/05). Alguns pontos estão abertos e agora ainda tem a suspeita da Covid-19”, contou Gizeli, apreensiva. “Os médicos pediram um exame para confirmar a situação e estamos isoladas até sair o resultado final. Caso seja positivo, eles comunicaram que precisarão encaminhá-la para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran)“, detalhou.

“Estamos com medo. Não havia essa suspeita [de Covid-19] antes da internação. Isso tudo começou nessa quarta-feira (27/05). Eu também tenho medo de ter sido contaminada. Estava fazendo a quarentena”, acrescentou Gizeli.

Dificuldades

Gabriela estava com o salão fechado desde a adoção das medidas de isolamento social no DF devido à pandemia de coronavírus. De lá para cá, enfrenta dificuldades financeiras. Moradora de São Sebastião, ela tem tem quatro filhos e é divorciada.

Para piorar, a cabeleireira teve negado três vezes pela Caixa Econômica Federal o auxílio emergencial de R$ 600, pagos pelo governo federal para mitigar os efeitos da crise entre a população mais necessitada do país. A filha de 19 anos de Gabriela também não conseguiu o benefício. Assim, a família está sem renda e as crianças, sob o cuidado da avó materna.

“Está muito difícil a situação da minha irmã. Ela não tem mais nenhum recurso. Não pode trabalhar. Hoje mesmo (quinta-feira, dia 28) pediram um remédio caro que o hospital não tem e eu tive que comprar. Nessa altura do campeonato, se ela ainda pegar a Covid-19, Deus me livre”, desabafou Gizeli.

Tratamento

Gabriela comentou as cirurgias. Ela disse que, no primeiro procedimento, estava com um abcesso retroperitoneal e outro perto dos ovários.

“Eles me abriram, limparam os abcessos e fizeram também cirurgia de apendicite. Fecharam e não mexeram nos ovários. Tive alta na última semana, mas voltei no dia seguinte com muita dor e eles me levaram para cirurgia novamente no domingo”, explicou a paciente.

O segundo procedimento, de acordo com Gabriela, seria acompanhado pela área de ginecologia, mas médico não participou da cirurgia.

“O meu receio é ter que fazer tudo de novo. Para mexer no útero e ovário. Abriram meus pontos e estou com um buraco na barriga. Agora, há a suspeita de eu estar infectada pelo coronavírus. Estou me sentindo bem, mas fico preocupada em ser algo pior e não resistir”, disse a mulher.

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