Ao constatar fraude em contratos da Saúde, PF faz operação em cidades do AC e AM

por Naief Queiroz

Entre janeiro e abril deste ano, um total de 183,498 km² foram desmatados no Amazonas, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O aumento foi de 61,54% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o desmatamento na região atingiu 113,89 km².

Diante do avanço, o Governo do Amazonas decretou, na semana passada, situação de emergência ambiental na Região Metropolitana de Manaus e nos municípios da região sul do Amazonas, como forma de intensificar o combate ao desmatamento ilegal, às queimadas não autorizadas e outros crimes relacionados. Nessa terça-feira (2), uma operação desarticulou uma organização criminosa responsável por desmatamento e comércio ilegal de madeira no estado.

Para o pesquisador e doutorando no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, o aumento é um resultado da diminuição de políticas públicas para combater o desmatamento e de medidas que permitem a exploração de recursos naturais, como a MP da Grilagem, que regulariza terras ocupadas por grileiros. Segundo ele, o aumento de queimadas no ano passado já apontava para um crescimento do desmatamento.

“O cenário atual é um reflexo do que já vinha sendo observado no ano passado. Este ano, nós podemos esperar um aumento ainda maior de queimadas do que foi visto no ano passado, dado a esse desmatamento que tem ocorrido. A queimada é uma ação secundária: primeiro se desmata, depois se queima, para abrir o terreno”, disse.

Com relação ao número de queimadas deste ano, até o mês de abril, o banco de dados do Inpe registrou 360 focos em todo o Amazonas, contra 250 no mesmo período do ano passado. Em 2020, o maior foco de queimadas foi no município de São Gabriel da Cachoeira, onde foram registrados 71 focos.

Em seguida, aparecem Presidente Figueiredo, com 34 focos, e Barcelos, com 25. Todos os outros municípios do estado registraram menos de 20 focos de queimada nos quatro primeiros meses deste ano.

Na análise do coordenador executivo da Fundação Vitória Amazônica (FVA), Fabiano Silva, o nível de desmatamento deste ano segue a mesma tendência do setor ambiental do ano passado, somado aos impactos da pandemia do novo coronavírus, que, até terça-feira (2), infectou mais de 43 mil pessoas em todo o Estado, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

“Existe uma tendência de falta de fiscalização nesse tipo de atividade ilegal, assim como no ano passado. Somando a isso, este ano, ainda há o contexto da pandemia do coronavírus, que fez inclusive, muitos agricultores e indígenas retraírem suas atividades, deixando espaço aberto para atividades ilegais. Com o território livre, amplia-se o risco e as oportunidades para os agentes de desmatamentos ilegais”, explicou o coordenador da FVA.

Responsabilidade Federal

Por meio de nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou, que, a maioria das áreas desmatadas corresponde a terrenos de domínio Federal. E que de janeiro a abril deste ano, as áreas federais foram responsáveis por 147,98 km² de desmatamento no Amazonas – 81% do total. Somente em abril, 80% dos alertas ocorreu em territórios da União, representando 61,68 km².

Ao todo, as 42 Unidades de Conservação Estaduais, geridas pelo órgão, somaram 2,32 km² de desmatamento nos quatro primeiros meses de 2020 (1% do total). Já as Glebas Estaduais registraram 3,54 km², correspondendo a 2% da área afetada.

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