Jovem desaparecida pode ter sido atraída por agência de prostituição em Manaus

por Naief Queiroz

Conviver com a ausência de uma pessoa desaparecida é o drama que atinge muitas famílias na capital amazonense, em muitos casos de desaparecimento anos se passam e os familiares continuam sem saber o que houve com as vítimas. Esse é o caso da família de Jocicleia Oliveira de Souza, de 22 anos, que desapareceu há quase um ano no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus.

Jocicleia desapareceu no dia 15 de julho de 2019 após sair de casa para encontrar uma amiga que tinha conhecido pela internet, chamada Giovana Tavares. A irmã da vítima, Gleide de Oliveira, contou que Jocicleia sempre dizia que a amiga conseguiria uma vaga de emprego em uma agência de viagens. Para Jocicleia, a oportunidade faria com que ela realizasse o sonho da independência financeira e também pudesse oferecer condições melhores às filhas.

Segundo Gleide, Jocicleia preferia de ser chamada de Jessica, pois não gostava do seu nome de batismo. Conforme a família, a jovem é alegre, carinhosa, gosta de se divertir e tinha muitos amigos.

“Ela sempre queria fazer proteger a família de tudo. Se alguém fizesse algum mal às filhas, pai ou aos irmãos, ela defendia até o final. Todos gostam dela, pois era sempre amigável com todos, se divertindo e levando alegria”, contou a irmã.Playvolume00:00/00:40d-emtempoTruvidfullScreen

No dia do desaparecimento, Jocicleia saiu de casa dizendo ao ex-marido que iria encontrar a amiga Giovana, para que ela lhe explicasse mais sobre o trabalho que seria seu nas próximas semanas, mas desde o suposto encontro ela não retornou para casa.

“Ela saiu de roupa simples e sandália havaianas, pois afirmou que seria um encontro rápido. As horas foram passando e ela não retornava, foi quando todos nós passamos a ligar para ela, mas não atendia o telefone. Ninguém sabe o que aconteceu, nem onde ela está, e isso tudo causa muito sofrimento a todos – são dias difíceis desde então”, lembrou Gleide.

De acordo com Gleide, o pai de Jocicleia desencadeou dependência química desde o desaparecimento da filha e passou a se culpar pelo ocorrido.

“Não é fácil perder alguém próximo, nesse caso não sabemos nem mesmo o que ocorreu com ela. O pai dela se culpa muito, ele diz que deveria ter ajudado ela quando pode e não fez por isso ele a perdeu. É muito triste não ter mais ela aqui conosco”, lamentou Oliveira.

Investigações

A família de Jocicleia formalizou um Boletim de Ocorrência assim que a vítima desapareceu. Na ocasião, a equipe policial afirmou que realizaria buscas pela cidade, mas, segundo a irmã, elas nunca aconteceram.

Alguns dias depois, ao procurar a polícia para mais informações, Gleide foi informada que a irmã teria se vinculado a uma agência de prostituição e teria sido levada para outro estado ou país.

“Não acredito que ela possa ter deixado tudo para trás e aceitado fazer isso. Para nós, que somos família, isso não é verdade. Mas nesse momento não temos esperanças de nada”, afirmou a irmã.

Gleide chegou a procurar pela tal amiga de Jocicleia, Giovana, junto à nora que manteve contato com ela pela internet. A mulher também ofereceu trabalho à ela, mas dessa vez a conversa era outra.

“Ela tentava convencer a minha nora a se prostituir em outra cidade, dizendo que seria uma vida melhor para ela. Ambas chegaram a marcar um encontro, para definir o trabalho, mas não tivemos apoio da polícia para ir até o local e capturar a Giovana, então desistimos”, disse Gleide.

Esperança

Jocicleia deixou para trás uma vida de grandes oportunidades, sonhos e duas filhas que hoje têm oito e quatro anos e, frequentemente, perguntam pela mãe, a família não sabe como explicar a elas.

“O pai delas diz que a mãe foi embora, nada além disso. A mais velha entende o que aconteceu com a mãe e que ela não irá voltar, mas a mais nova ainda chora com saudades da Jocicleia e ninguém sabe como consolar”, relata a irmã.

A família recebe muitas informações falsas sobre pessoas que dizem ter visto ou recebido ligações de Jocicleia, o que dificulta o processo de superação da família.

“Eu não tenho mais esperança de encontrar ela com vida, infelizmente 80% de mim sabe que ela não vai voltar, mas eu continuo indo atrás e pedindo para quem souber algo sobre ela nós informar, faço isso porque não é fácil perder alguém e conviver com a incerteza do que houve”, finalizou Gleide.

A família de Jocicleia pede que se alguém souber notícias da moça que entrem em contato através do número: (92) 99367-2323.

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