Testagem e cloroquina: os planos do secretário Wizard Martins contra a Covid-19

por Naief Queiroz

O convite foi feito e prontamente aceito. Nos próximos dias, quando for publicado no Diário Oficial, o empresário Carlos Wizard Martins, dono da holding Sforza, que é dona de marcas como Mundo Verde, Wise Up e Pizza Hut, no Brasil, estará à frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde.

Em entrevista ao CNN Brasil Business, o empresário, que é formado em ciência e tecnologia pela Universidade Brigham Young, nos EUA, e que atuava como conselheiro do ministro-interino desde abril, disse que a prioridade zero do Ministério é avançar na prevenção ao coronavírus – tanto com testagem quanto com medicamentos de prevenção. Ele defende que o infectado, logo que identificado, comece a ser medicado, assim como aqueles que vivem com ele. Entre os medicamentos, estão os “polêmicos” cloroquina e hidroxicloroquina.

Martins, no entanto, acredita que há muita discussão ideológica em cima do tema, apesar de diversos países terem suspendido o uso dos remédios, como Itália, Bélgica e Suécia.

“Existe muita questão ideológica da cloroquina, mas não muda o fato de que usamos esses medicamentos há 70 anos. Não vai matar a pessoa”, diz Martins. “Eu tenho um filho, Charles Martins, que passou dois anos na África e tomava a cloroquina toda semana. Teve algum dano ou prejuízo? Pelo contrário, tem uma mente brilhante e uma cabeça iluminada.”

Sobre a testagem, o futuro secretário afirma que o governo já comprou 10 milhões de testes e repassou para estados e municípios. Questionado se não é um número pequeno, afinal só alcança 5% da população, Martins acredita que o foco precisa ser nos grupos de risco.

“Não podemos pensar em 5% da população, mas nas pessoas de risco. Um outro aspecto importante: nós temos dois mil municípios que não tem nenhum caso”, diz ele.

Quanto à reabertura, Martins acredita que ela deve ocorrer, mas tendo a vida como prioridade. Por isso, defende que locais em que ocorram aglomeração de pessoas, como academias, fiquem mais para frente.

Antes de entrar no ministério, o empresário tinha deixado os seus negócios de lados nos últimos dois anos. Na época, a sua missão, juntamente com a sua esposa, foi ajudar mais de 12 mil refugiados venezuelanos que insistiam em cruzar a fronteira com o Brasil em busca de melhores oportunidades, diante de uma economia totalmente fragilizada. Foi lá que conheceu o general Eduardo Pazuello que, agora, virou o seu patrão.

Martins assume a secretária em um momento crítico da doença no Brasil. O país deve alcançar o número oficial de 30 mil mortes nesta terça-feira (2). O vírus não dá sinais de que está perdendo força. 

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