Empresária presa pela PF por suspeita de envolvimento em desvio na compra de respiradores no AM deixa presídio,

por Naief Queiroz

A empresária Renata Mansur, presa pela Polícia Federal durante a Operação Sangria, saiu do presídio onde estava custodiada no interior de São Paulo, na manhã deste sábado (4). Segundo a defesa da investigada, ela deixou o local pois o prazo da prisão temporária encerrou neste sábado. A mulher e outros sete presos pela PF, incluindo a secretária de Saúde do Estado, Simone Papaiz, são suspeitos de participação em um esquema que aponta supostas fraudes e desvios na compra de respiradores no Amazonas durante a pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 2,8 mil pessoas.

G1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), e, até às 11h deste sábado, o órgão informou que os outros sete presos durante a mesma operação continuam presos em unidades prisionais. O governador Wilson Lima também é investigado na operação e foi alvo de buscas e bloqueio de bens, na terça-feira (30).

A operação que a empresária é um dos alvos foi deflagrada a partir da compra realizada pelo Governo do Amazonas, em abril, de 28 respiradores sem licitação, fornecidos por uma loja de vinhos. Em maio, denúncias de indícios de irregularidades envolvendo as empresas FJAP e Sonoar, além da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) começaram a ser investigadas.

A Rede Amazônica teve acesso ao depoimento da empresária Renata Mansur, ex-sócia da Sonoar, à Polícia Federal. Ela afirmou que possui interesse em fazer acordo de colaboração premiada para revelar todos os ilícitos que tem conhecimento praticados pela Sonoar. Ela disse que saiu da empresa em janeiro, após vender a sua parte para Luiz Avelino, marido da secretária de comunicação do governo, Daniela Assayag.

A Polícia Federal diz que a compra dos 28 respiradores da vinícola foi direcionada por integrantes do Governo do Amazonas e Luiz Avelino é investigado por participar desse direcionamento. Na CPI da Saúde, o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, disse que a esposa de Avelino, que é secretária de Governo, participou de reunião sobre compras dos equipamentos.

Em uma coletiva de imprensa, a secretária de comunicação do Governo do Amazonas, Daniela Assayag, negou ter participação nas negociações da Sonoar e da loja de vinhos com o estado e afirmou que o marido nunca foi dono da Sonoar.

Renata Mansur disse que a sócia dela, Luciana Andrade, que também foi presa na operação, lhe informou que havia vendido respiradores para o governo, mas depois, soube que foram vendidos para uma loja de vinhos. Luciane teria dito que a venda não poderia ser revelada a ninguém, porque Luiz Avelino era marido da secretária de Comunicação do estado do Amazonas.

Em um contrato de cessão de cotas de sociedade, mostra Renata vendendo a parte dela da Sonoar a Luiz Avelino, por R$ 250 mil. O documento foi assinado em 12 de dezembro do ano passado.

A defesa de Luiz Avelino disse que ele não é ou foi sócio de fato ou de direito da empresa Sonoar. Diz, ainda, que Avelino não acompanhou a venda dos respiradores, não recebeu qualquer valor em decorrência de tal negociação, não chegou a ter poderes para representar a empresa, não chegou a exercer qualquer função de gestão da sociedade e não conhece as empresas ou os sócios das pessoas jurídicas investigadas no inquérito. A defesa informou, também, que não teve acesso ao teor do depoimento de Renata Mansur.

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