Gari que perdeu a mãe e teve moto furtada no mesmo dia recebe oferta de emprego

por Naief Queiroz

O gari André Araújo Leandro Pereira, de 37 anos, que viveu o último dia 7 de julho como um dos piores de sua vida, pois perdeu a mãe e teve sua moto furtada, recebeu uma proposta de emprego, visto que está cumprindo aviso prévio em uma empresa.

Em conversa com a reportagem de O TEMPO, ele contou que está recebendo ajuda de algumas pessoas, e que recebeu uma ligação com uma oferta de trabalho. “Um homem me ligou me oferecendo uma proposta de gari também, mas é em Belo Horizonte. Eu ainda não sei direito qual é a empresa, pois ele me falou que só vai dar para me contratar a partir do dia 27, porque eu ainda estou cumprindo aviso”, contou.

Segundo André, o empresário ficou sabendo de sua história através da imprensa. “Um amigo dele, que é jornalista, mostrou a minha situação, e deu a vontade nele de poder me ajudar. Eu estou muito feliz e mais tranquilo com isso, ainda mais de trabalhar de gari em BH, porque ganha muito mais que aqui em Santa Luzia”, brincou.

Ainda de acordo com André, foi criada uma vaquinha virtual para ajudá-lo, já que ele tem cinco filhos para criar e, com o desemprego, a situação vai se complicar. “Eu não sei direito quem está por trás dessa vaquinha, me mandaram uns papéis para assinar e eu assinei, mas eu estou acreditando demais nisso, pois vai ajudar bastante”, explicou. De acordo com o site, já foram arrecadados cerca de R$ 3.400.

História

André Araújo teria estacionado a moto da marca Honda, modelo Titan, azul, de placa QPP-4994 na avenida Raja Gabaglia, em BH, para ir até o Hospital Madre Teresa, para ter notícias da mãe que havia passado por uma cirurgia de troca de uma das válvulas da ponte de safena, mas, ao entrar no local, ele descobriu que ela havia morrido. Ao voltar para a rua, viu que o veículo não estava mais lá.

Prestes a completar 38 anos no dia 25 deste mês, André Araújo parece estar vivendo o inferno astral. Morador do bairro São Bendito, em Santa Luzia, na região Metropolitana de Belo Horizonte, ele diz que a mãe o ajudava a colocar comida na mesa de casa, com a renda da aposentadoria. Sem a moto que foi furtada, ele também não pode fazer as entregas delivery para aplicativos e uma loja de sanduíches próxima à casa dele na qual fazia bicos. A atual esposa, segundo ele, também decidiu pela separação do casal e saiu de casa.

Sem o salário da empresa nos próximos meses e sem a moto para trabalhar no delivery, o gari teme ficar completamente sem renda. Com as entregas, ele diz que conseguia tirar uma média de R$ 50 por dia, nos finais de semana.

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