Globo tem audiência decepcionante no começo de julho

por Naief Queiroz

O mês de julho não começou fácil para a Globo quando o assunto é audiência. No último fim de semana (11 e 12 de julho), por exemplo, a emissora não conseguiu ultrapassar os 12 pontos no Ibope em São Paulo – marca abaixo do registrado nos últimos meses. Os números da capital paulista são representativos por se tratar da maior praça televisiva do Brasil.

No primeiro fim de semana deste mês, os resultados também foram abaixo dos obtidos em maio e junho. Nos dias 4 e 5 de julho, a emissora marcou 12,4 e 11,5 pontos, respectivamente. No começo de maio, por exemplo, os resultados foram 15,2 no sábado (2/5) e 13,5 no domingo (3/5).

Dos últimos 11 fins de semana, o período analisado pela reportagem, os resultados de julho são os piores. No dia 31 de maio, um domingo, a emissora registou a marca mais baixa: 11,1. No entanto, o sábado (30/5) havia conquistado 13,4 pontos, melhorando o desempenho. Porém, recentemente, sábados e domingos têm tido desempenhos ruins.

O último fim de semana, especificamente, foi o mais difícil para a emissora: tanto no sábado quanto no domingo, o canal não superou os 12 pontos. Fato que ocorreu pela primeira vez nos últimos 2 meses.

Um dos principais produtos de audiência da emissora, a transmissão dos jogos, está fora do ar por conta da pandemia de Covid-19. No domingo (12/7), ocorreu o primeiro jogo da final do Campeonato Carioca, que não contou com exibição da Globo por causa de uma briga com o Flamengo.

Sendo o único jogo inédito de futebol após o início da pandemia, atração teria potencial de elevar os números da emissora. Nesta quarta (15/7), o segundo jogo será exibido no SBT.

Enquanto a Globo e toda a TV aberta vê a audiência cair 17% ao longo do século 21, o streaming tem conquistado força no mercado nacional. Os dados recentes mostram que os vídeos sob demanda representam, atualmente, a segunda maior audiência do país, registrando crescimento de 20% após o início da pandemia de Covid-19.

Problemas

O ano de 2020 tem sido marcado por dificuldades na Globo. No começo deste mês, e emissora acionou a Fifa na Justiça do Rio de Janeiro para renegociar um contrato que mantém com a federação desde 2015, no valor de US$ 600 milhões (R$ 3,1 bilhões). A Globo não pagou uma parcela anual de US$ 90 milhões (R$ 462 milhões), que venceu em 30 de junho.

Nos bastidores, comenta-se que a ação teria sido motivada pela mistura de recessão econômica causada pela Covid-19 e a incerteza de duração da pandemia. Além disso, fatores como as mudanças na tecnologia e a ascensão dos serviços de streaming teriam aumentado a concorrência e contribuído na queda acentuada de receitas.

Demissões

Outro ponto que tem gerado notícias negativas em relação à Globo é o desligamento de importantes nomes do elenco. Apelidada de “Hollywood brasileira” por manter contratos fixo com grandes artistas, o canal tem adotado nova política, com contratos por obra.

Nomes como Renato Aragão, Aguinaldo Silva, Vera Fischer, Miguel Falabella, Malvino Salvador, Stênio Garcia, José Loreto e Bruna Marquezine deixaram a emissora recentemente – eles podem voltar para trabalhos pontuais, mas não integram o elenco fixo.

No jornalismo, uma das perdas mais emblemáticas foi de Zeca Camargo. O ex-apresentador do É de Casa saiu da emissora e, recentemente, assinou com a Bandeirantes.

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