Nuvem de gafanhotos volta a se deslocar na Argentina

por Naief Queiroz

Após ficar quatro dias parada em uma estância na Argentina, a nuvem de gafanhotos que desde junho deixou em alerta as autoridades sul-americanas voltou se deslocar. Os insetos teriam voado por cerca de 10 quilômetros ao sudeste de onde estavam desde o último domingo (5), no interior do departamento de Curuzú Quatiá. O local fica a cerca de 180 quilômetros da cidade de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

O boletim atual divulgado pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), indicou que os gafanhotos decolaram por volta das 13h da estância Che Mbae, em um momento em que temperatura no local estava entre 18 ºC e 20 ºC. Os técnicos do órgão avistaram os insetos voando pela Ruta 24, em direção sul, mas perderam contato antes de chegarem à Ruta 30, que corta a região no sentido leste/oeste.

– A partir de informações de uma moradora local, a estimativa é de que os gafanhotos tenham pousado no final da tarde na região de Zarza Rincón. Isso embora uma primeira busca na área não tenha dado em nada. Os trabalhos devem ser retomados na área na manhã desta sexta – disseram os agentes.

O motivo apontado para os insetos estarem paralisados no mesmo ponto há quatro dias é devido às baixas temperaturas na região no início da semana. Segundo o doutor em entomologia, Mauricio Paulo Batistella Pasini, da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), no Rio Grande do Sul, a temperatura ideal para que a nuvem se movimente é acima dos 15 ºC, quando eles seguem na direção do vento.

Na fronteira gaúcha, o fiscal agropecuário Juliano Ritter, da Secretaria de Agricultura do Estado, afirma temperatura entre Barra do Quaraí e Uruguaiana está parecida com a de Curuzú Quatiá, entre 20 ºC e 21 ºC. Apesar de ser adequada aos insetos, as condições apontam vento desfavorável à nuvem.

– Com temperatura mais alta, normalmente temos vento norte mais forte (em direção sul). Pelo menos nos próximos dias isso deve continuar assim – destaca Ritter, que está encarregado pelo governo gaúcho de monitorar as condições para o risco da entrada dos gafanhotos no Brasil.

Os gafanhotos sul-americanos (schistocerca cancellata) vêm sendo monitorados desde maio, quando saíram do Paraguai para a Argentina. Apesar de nuvens serem fenômenos relativamente comuns na região, há cerca de 70 anos um grupo tão grande de insetos não descia até próximo à região da fronteira argentina com Brasil e Uruguai.

Leia também