Padre de São João del-Rei viraliza ao fazer dança do TikTok dentro de igreja

por Naief Queiroz

O que a apresentadora Maisa, o ex-BBB Guilherme e um padre de São João Del-Rei podem ter em comum? Uma dança no TikTok. O hit, que virou sensação entre os famosos na rede social de vídeos voltada para o público jovem, caiu nas graças também do padre Roberto Modesto Carneiro, de 53 anos, responsável pela Paroquia Santuário São João Bosco, na cidade de Campos das Vertentes.

Na filmagem, ele aparece ao lado de três jovens coreografando dentro da igreja. Os quatro iniciam a dança com as mãos cruzadas, mas logam levantam os braços e descem em direção ao chão. O vídeo foi gravado na última sexta-feira (10) e divulgado no sábado (11). Desde então, tem sido um dos assuntos mais comentados na cidade histórica.

E isso tem deixado o padre feliz. Segundo ele, o objetivo da gravação foi levar um pouco de alegria para os jovens da comunidade em um tempo tão sombrio, quando muitos têm ficado angustiados pela pandemia do novo coronavírus. “Estamos em uma época de muita tristeza. Então, resolvemos incentivar a alegria para que as pessoas permaneçam firmes na fé e na espiritualidade”, aponta o sacerdote, que enviou a gravação para as pessoas por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

Apesar de ter abraçado a ideia, a iniciativa de gravar o vídeo não partiu dele. A equipe de acólitos (função semelhante a do coroinha, mas para jovens acima de 14 anos) sugeriu ao padre que utilizassem o TikTok para gravar a dancinha. “Eu sou de outra geração, mas vi que não tinha problema nenhum em fazer a coreografia utilizando o aplicativo”, comenta.

O estudante Matheus de Oliveira Santana, 18, que aparece no vídeo usando óculos, é um dos idealizadores do vídeo. Coordenador da equipe de acólitos há quatro anos, ele diz que que foi uma ideia elaborada em conjunto. “O TikTok está bombando, muitos entrando no aplicativo. Então, surgiu essa ideia, e a gente resolveu fazer com o padre Roberto”, comenta Matheus, que é usuário da rede.

O servidor público Pedro Augusto dos Passos Gaia, 22 anos, o segundo no vídeo, contando da esquerda para a direita, conta que começou a caminhada na Igreja Santuário São João Bosco ainda na pia do batismo e que o padre é como um irmão e amigo para os jovens da igreja. 

A dança, aliás, não vai parar aí. “Vamos fazer uma dança e desafiar outra paróquia da Diocese para também fazer uma coeografia, e isso virar uma corrente”, diz empolgado com o novo projeto.

‘Dom Bosco pregava que o nosso Deus é o Deus da alegria’

Padre Roberto faz parte da congregação salesiana, fundada em 1859 por São João Bosco, mais conhecido por Dom Bosco. O santo é padroeiro da igreja pela qual o padre é responsável, e, segundo o pároco, a alegria foi um estilo de vida pregado pelo santo. 

“Dom Bosco falava para os jovens, ainda no século XIX, que o nosso Deus é o Deus da alegria. Já naquela época, ele incentivava os jovens a praticar esportes e dança e promovia um Carnaval sadio para que eles não procurassem a diversão em ambientes pecaminosos”, pondera.

O sacerdote defende ainda que o demônio é o inimigo da alegria. “A felicidade é o que afasta o capeta”, elabora. 

Matheus reitera a análise do religioso e diz que o objetivo do vídeo foi promover a alegria e diversão dele e dos colegas. “Fizemos o vídeo para divulgar para os nossos amigos, compartilhar nas nossas redes sociais e mostrar a alegria e o carisma que representam a congregação salesiana com com os jovens”, pontua.

O estudante João Pedro Maximiano, 17 anos, que aparece no vídeo ao lado do padre, afirma que a gravação representa “o espírito salesiano”. “Para que nós consigamos atingir outros jovens, nós precisamos ser alegres, não pregadores de uma doutrina pesada, porque isso não atrai ninguém para a Igreja”, diz.

“Nós não somos aquele povo de roupinha sério que fica no altar sem rir. Somos pessoas a serviço de Deus de um jeito bom e descontraído para atingir pessoas com alegria”, conclui. 

Distanciamento e uso de máscaras

Para realizar a dança, o padre afirmou que foram observadas as regras de distanciamento para evitar aglomeração, prática não recomendada durante a pandemia do novo coronavírus. “Nós tivemos o cuidado de nos mantermos com mais de um metro de distanciamento”, salientou o sacerdote.

Segundo o padre, foi um “descuido” não utilizar máscaras durante a gravação. “Os acólitos utilizam a máscara o tempo todo durante as celebrações litúrgicas. Como foi uma filmagem rápida, acabamos nos descuidando e não utilizando a máscara”, afirma.

O pároco garante ainda que, desde o início da pandemia, as missas presenciais não estão sendo mais realizadas. “Transmitimos pelo Facebook, Instagram e Youtube, e a equipe litúrgica é sempre muito reduzida. Estamos tomando todos os cuidados para evitar a disseminação do coronavírus”, atesta.

Além do cuidado com as medidas de segurança, o padre também afirma que manteve o respeito durante a gravação. “Nós fizemos a filmagem dentro do santuário, mas na parte embaixo do altar. É um espaço longe do altar e fora da capela do Santíssimo”, comenta.

‘Padre Roberto não é um padre apenas, é um irmão, um amigo’

O servidor público Pedro Augusto dos Passos Gaia fez questão de ressaltar a figura de padre Roberto na comunidade. “Ele não é um padre apenas, é um irmão, um amigo para gente”, afirma.

Segundo ele, o padre está presente não somente nas celebrações, mas também nas comemorações. “Ele dança samba, canta, dança funk. Ele é Dom Bosco em nosso meio, é um pai pra gente. Depois que o padre Roberto chegou na paróquia, a gente voltou a ter o prazer de estar na igreja, nos sentimos em casa”, diz.

Matheus reitera a colocação do colega. “O padre chegou muito amigo dos jovens e os trazendo para dentro da igreja, mostrando o carisma salesiano”, diz. Segundo ele, o religioso age de forma diferente das do demais que já passaram pela paróquia.

“Não que os outros não tenham esse carisma, mas ele é diferente. O padre está sempre nas festividades com os jovens. Nós somos apaixonados por ele”, observa.

A reportagem entrou em contato com a Diocese de São João del-Rei para saber se a instituição iria se manifestar, mas as ligações não foram atendidas. 

Leia também