‘Barão Vermelho: Por que a Gente É Assim’ exalta amizade de Cazuza e Frejat

por Naief Queiroz

Comandado pelo cineasta Mini Kerti e lançado em maio de 2017, “Barão Vermelho: Por que a Gente É Assim” é um documentário necessário na boa safra de filmes sobre a música brasileira. Apesar do passado recente da banda de rock, fundada em 1981 por Guto Goffi e Maurício Barros, o grupo teve altos e baixos e, de certa forma, foi responsável por apresentar ao mundo o compositor Cazuza.

Disponível na Netflix, o filme, como é esperado no gênero visual, resgata imagens de arquivo, mostrando Guto, Maurício, Dé, Frejat e Cazuza ainda “crianças” – as caras de pirralhos dessa turminha, na época, não dava nenhuma pista do barulho que eles provocariam no cenário musical. E, no longa-metragem de Kerti, sob os depoimentos dos velhos e dos novos integrantes, é possível perceber que nem mesmo eles, no início de tudo, tinham um “binoculo futurístico” para prever o que estava por vir.

A explosão do Barão Vermelho, com letras viscerais e um instrumental cru e rasgante, aconteceu. Já no primeiro disco homônimo, produzido por Ezequiel Neves, um dos principais pilares da banda, o grupo de rock apresentou clássicas, como “Down em Mim”, “Bilhetinho Azul” e “Todo Amor que Houver Nessa Vida”. Porém, cerca de três anos depois, o tombo: Cazuza pulou fora, e a garotada teve que se reinventar. Frejat assumiu os vocais, e o grupo lançou “Declare Guerra”, disco que não teve uma reverberação positiva e que, de certa forma, freou o voo do Barão.

Bastante elegante, “Barão Vermelho: Por que a Gente É Assim” mostra como a banda se levantou desse tombo, expõe outras cambaleadas e deixa claro o entra e sai de integrantes ao longo do tempo – hoje, por exemplo, da primeira formação, apenas Guto e Maurício estão no Barão. No entanto, as brigas são deixadas um pouco de lado, assim como algum exagero com as drogas, apesar de elas serem citadas nos depoimentos dos músicos. 

O que mais chama atenção no documentário, no entanto, é a forte amizade entre, com o perdão da expressão, o pirado do Cazuza e o certinho do Frejat. Em uma fala emocionante, Frejat conta que Cazuza foi seu grande parceiro de composição e que a partida dele, em 1990, foi um duro golpe. Inclusive, o guitarrista, em lágrimas, garante que a dobradinha dos dois na música “Todo Amor que Houver Nessa Vida” resultou em uma obra de arte.

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