CPI terá acareação entre OS e sistema de regulação da Susam sobre leitos do Delphina

por Stephane

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde colheu, na manhã desta segunda-feira (14), o depoimento da coordenadora estadual de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Keila Batista. Durante oitiva, o assessor técnico do complexo regulador, Felizardo Monteiro, informou que o Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano e Social (INDSH), Organização Social (OS) que gerencia que o Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz, disponibilizou uma média de 133 leitos no mês de abril, período mais crítico da pandemia do novo coronavírus no Amazonas.

A informação contraria o depoimento do diretor executivo do INDSH no Amazonas, José Luiz Gasparini, no dia 28 de agosto, onde o gestor afirmou que a OS entregou todos os leitos clínicos e de UTI na unidade, mas que a Susam utilizou apenas 50% das vagas ofertadas. Diante do desencontro de dados, os membros da CPI aprovaram uma acareação entre Gasparini e os técnicos responsáveis pelo controle regulador para confrontar as informações.

Para o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos), o cruzamento de dados será fundamental para investigar os números reais deste contrato firmado entre a OS e o Estado para a administração da unidade hospitalar da zona norte.

“O Estado assinou um quarto termo aditivo para Covid e o contrato dizia que seriam 331 leitos disponíveis. O diretor da OS afirmou que entregou todos os leitos, mas o mapa de leitos aponta que foram 133 leitos, ou seja, apenas 40%.  O senhor Gasparini faltou com a verdade com o povo do Amazonas, por isso, precisamos chamar novamente o diretor para se explicar nesta comissão”, explicou Barreto, que votou a favor da acareação.

CPI pode se estender até novembro

Com data de término dos trabalhos para o próximo dia 28 de setembro, a CPI da Saúde aprovou o requerimento de autoria do deputado Delegado Péricles (PSL) que pede a prorrogação dos trabalhos. O documento será encaminhado à presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) a fim de que seja levado para votação em plenário. A Comissão teve início no dia 26 de maio e, caso tenha prorrogação, irá até 29 de novembro.

Presidente da CPI e também autor da propositura que deu início à Comissão, Delegado Péricles defendeu a continuidade dos trabalhos e afirmou, ainda, que a Comissão Parlamentar deveria ser permanente.

“A CPI da Saúde tem pautado a gestão – mostrado que é possível e urgente gerir o dinheiro público com responsabilidade – e tem revelado atos ilícitos que, se não fosse a sua existência e eficácia, seguiriam escondidos perpetuando a corrupção na saúde do nosso Estado. Eu defendo não só a continuidade da CPI da Saúde, mas também a ideia de que a CPI deveria ser permanente. É nosso papel fiscalizar. Seja na saúde, na segurança pública, na educação”, afirmou.

De acordo com Péricles, os resultados da Comissão são incontestáveis e, diante da dimensão de fatos que ainda precisam ser apurados, ele espera que a prorrogação receba apoio dos parlamentares em plenário.

“Hoje apresentei o requerimento. Tivemos apenas um voto contrário, do Dr. Gomes (PSC). A CPI tem dado ótimo resultado, apontando muitas irregularidades e sabemos de muitos outros casos que ainda precisamos apurar e que serão de fato investigados caso ela tenha continuidade. Espero contar com o entendimento dos colegas parlamentares sobre a importância de tudo o que vem sendo feito pela nossa população”, concluiu.

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