Imunidade de rebanho em Manaus é questionada após início de segunda onda do vírus

por Naief Queiroz

A cidade de Manaus vinha registrando desde junho queda no número de casos de coronavírus, após ser a primeira capital a apresentar um colapso nos sistemas de saúde e funerário, entre abril e maio. No entanto, na última sexta-feira, contrariando as expectativas de que a capital do Amazonas poderia atingir a imunidade coletiva, o governo estadual voltou a decretar o fechamento de bares e casas noturnas, após constatar um aumento das infecções.

Em entrevista à Reuters, o prefeito de Manaus, Arthur Virgilio, culpou o presidente Jair Bolsonaro, que segundo ele minimizou a gravidade da pandemia ao encorajar pessoas a retornarem à vida e ao trabalho normalmente.

— O governo precisa levar a situação a sério. Se disser que não tem problema, isso encoraja as pessoas a ignorar nossos decretos.

Uma pesquisa da Fiocruz aponta que Manaus vive uma segunda onda de casos da Covid-19. Em entrevista no último sábado à Globonews, o epidemiologista e autor do estudo, Jesem Orellana, citou um “aumento sustentável da incidência ou de casos novos de síndromes respiratória aguda grave em Manaus há mais de quatro semanas”.

O governo do estado informou, em nota, que os dados apontam uma alta na média móvel de internações pela doença após meses de queda, mas descartou que esteja vivendo uma segunda onda.

Número de casos cresce entre jovens

O epidemiologista André Patricio Almeida, do Hospital Adventista de Manaus, afirmou à Reuters que os casos estão crescendo novamente principalmente entre os jovens, que mostram sintomas leves, mas com frequência passam a doença a parentes mais velhos que precisam ser tratados em hospitais.

Já um estudo da Universidade de São Paulo identificou que os anticorpos contra coronavírus parecem diminuir após alguns meses, o que pode explicar o ressurgimento de casos em Manaus.

“Algo que ficou claro em nosso estudo é que os anticorpos contra a SARS-CoV-2 decaem rapidamente meses depois da infecção”, disse uma das autoras do estudo, Leis Buss, em comunicado.

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