Clube Atlético Rio Negro luta contra leilão

por Naief Queiroz

Por conta de dívidas milionárias, o tradicional Clube Rio Negro, localizado na Avenida Epaminondas, no Centro, poderá ser leiloado neste mês de novembro. A confirmação foi feita por meio de nota da administração do espaço nesta terça-feira (27), na qual explica que a medida será para tirar o clube do acumulado de dívidas.

Apesar da proposta de leilão, o Diretor do Clube Jefferson Oliveira, contou  que até a próxima sexta-feira (30), entrará em acordo para quitação de dívidas relacionadas ao espaço. A sede “Rionegrina” está avaliada em R$ 80 milhões. 

“Nosso clube ainda tem jeito, vamos tentar resolver essas dívidas até a sexta-feira, pois temos a esperança de serem parceladas e quitadas”, comentou.

A sede foi a leilão por conta de dívidas com a Receita Federal em 2013 e 2015. Neste ano, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11), colocou as dependências do clube a leilão, para abatimento de dívidas. 

O Clube Rio Negro se pronunciou por meio de nota nas redes sociais e gerou comoção por parte dos manauaras. A nota assegura que a medida será para um bem maior: tirar o clube do “vermelho”. 

“Por forças alheias a nossa vontade, e por atos irresponsáveis de algumas gestões anteriores, o clube há anos enfrenta problemas financeiros, reconhece a dívida junto a Fazenda Nacional, e informa que a sede já foi a leilão outras duas vezes, em 2013 e 2015. E como nas duas primeiras vezes não poupará esforços para tirar o clube da situação que se encontra. Afinal, não pertence a ninguém senão ao seus torcedores, sócios e sociedade manauara”, informou.

Um torcedor comentou na publicação e não apoiou a decisão de leilão, pois segundo ele, o local é histórico e não pode ser leiloado. 

A sede do clube está sendo leiloada pelo lance de R$ 4 milhões de reais
A sede do clube está sendo leiloada pelo lance de R$ 4 milhões de reais | Foto: Reprodução Facebook Atlético Rio Negro

“Essa sede não pode ser leiloada. É um patrimônio histórico de todos os amazonenses. Aí está parte da história futebolística, faz parte da história de Manaus. Esse prédio não pode ser destruído, mas sim preservado para as futuras gerações. Querem destruir nossa história, lamentável se isso acontecer”, desabafou em comentário. 

Clube histórico

O clube centenário busca recuperação para continuar o seu legado no esporte amazonense
O clube centenário busca recuperação para continuar o seu legado no esporte amazonense | Foto: Jeferson Oliveira/Arquivo Pessoal

Este torcedor tem razão, pois o Galo marcou várias gerações de entusiastas do futebol Baré. Atualmente, o clube vive uma situação delicada, onde pode ser arrematado em leilão.

A agremiação nasceu em 1913, um dos mais importantes clubes do cenário amazonense, surgindo de um sonho de um grupo de garotos que gostavam de se reunir para jogar futebol.

O  clube ainda foi responsável por outros marcos do esporte local, sendo o berço do voleibol amazonense e tendo a primeira academia de judô do país. 

Com o passar dos anos, segundo a diretoria, más gestões contribuíram para a degradação, não só financeira, mas também da imagem do clube, que em 2019 foi rebaixado pela quinta vez a série B do  Campeonato Amazonense. O clube tenta se reerguer e explica a situação a seus torcedores.

A nova diretoria estava realizando um trabalho de recuperação, conseguindo contornar pendências com a concessionária de energia, mas ainda possui aproximadamente R$ 40 mil em dívidas em outras áreas.

Grande parte da renda do clube vinha de fontes externas, onde alugava seu espaço para festas e eventos. Com a chegada da pandemia de Covid-19, aglomerações foram proibidas por lei, praticamente zerando o faturamento da instituição.

Uma das dificuldades enfrentadas pelo clube é a inadimplência de seus sócios-torcedores. Atualmente, dos mais de 4 mil sócios, apenas 40 pagam a mensalidade.

“Se ao menos cem sócios pagassem a anuidade, em um ano nós estaríamos livres de qualquer dívida. ” finalizou Jefferson Oliveira. 

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