“É preciso que tenhamos mais campanhas de conscientização, fiscalização e criação de novas políticas públicas, conclui Cheine Araújo, deficiente visual

por Naief Queiroz

Em um estado em que o número de pessoas com deficiência só cresce nos últimos anos, falar de acessibilidade é um tema que deveria ser debatido com mais frequência para fazer valer a inclusão social.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo 2010 existe uma evolução no universo de deficientes no Amazonas nos últimos 10 anos com 651.262 deficientes visuais, 209.932 motores e 154.190 auditivos.

O número exorbitante demostra que os municípios e principalmente a capital amazonense precisa se adaptar a nova realidade e ser transformada em cidades acessíveis. Porém a realidade é outra, vista pelos olhos de quem tanto precisa de atenção.

A exemplo disso a manauara Najara Silva, de 42 anos que é cadeirante conta que quando fez faculdade quase desistiu, por ter sofrido assalto no ônibus e neste dia caiu da plataforma. Além disso, existe a situação de alguns motoristas que não aceitam a levar nos coletivos. “Nas paradas não tem acessibilidade, os motoristas não ajudam, são tantas dificuldades que a gente não consegue enumerar”, relatou.

Ela garante que a acessibilidade em Manaus é precária e bastante humilhante, para quem precisa se locomover e fazer suas tarefas do dia a dia.

Deficiente visual desde o nascimento, o advogado Cheine Araújo, explica que além das ruas, alguns os órgãos públicos e privados também não respeitam a lei da acessibilidade. Já outros que possui o espaço, porém são razoáveis. Ele acredita que existe muita desinformação no que diz respeito a esses direitos.

O advogado acredita que muitos lugares possui o espaço porque são obrigados pela lei e ainda o fazem de forma equivocada. “Alguns órgãos que deveriam dar bom exemplo, não possui. Transporte público e privado também muitos não possui esse espaço e respeito por parte das pessoas. O mundo vai em uma mão e outra vai a contra mão. Precisamos de espaços físicos, autonomia e segurança para exercer nossas atividades”, enfatiza.

Para resolver o problema, Cheine acredita que é preciso que seja feito uma campanha massiva de conscientização, para que as pessoas passem a respeitar esses direitos. “O direito precisa ser feito de bom grado. Precisamos de espaços físicos, automomia e segurança para exercer nossos deveres. Somos seres humanos e precisamos de locomoção e dignidade no ir e vir”, acredita o advogado.

Outra ajuda que poderia contribuir e melhorar a acessibilidade é o aumento da fiscalização por parte dos órgãos competentes, além da criação de políticas públicas e sociais por parte dos representantes locais, conclui o advogado Cheine Araújo.

Quem é Cheine Araújo

Candidato atual a vereador de Manaus, pelo partido Avante, natural de Manaus Amazonas, Cheine Araújo é pai de família, indígena, militante nas causas dos segmentos dos povos indígenas, Cristão, é paratleta com títulos regionais, nacionais e internacionais. Criador e fundador da Associação Paradesportiva do Norte (APAN), vice-presidente da Federação Paralímpica do Amazonas (FEPAM), membro da comissão em defesa dos direitos da pessoa com deficiência da OAB do Amazonas, qualificado em gestão pública, qualificado em licitação e contratos, atuou como coordenador-geral da fundação nacional do índio do alto Rio Negro, pedagogo e já atuou como professor da secretaria municipal de educação em Manaus, aprovado em 20 concursos Públicos Municipal, Estadual e Federal, servidor Público do ministério público do Estado do Amazonas, advogado com especialização em direito público penal e processo civil.

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