Em Manaus, viúva não quis dividir herança, vendeu armas e tramou roubo

por Naief Queiroz

Objetos de um inventário que tramita na Justiça, as 108 armas, que faziam parte do acervo de coleção do ex-coronel da Polícia Militar, Fernando Valente, que faleceu em 2018, foram vendidas de forma ilegal no mesmo ano da morte dele.

E, para tentar enganar os outros herdeiros, a viúva, uma mulher de 42 anos, a filha de 24 anos, e a companheira dela de 25, tramaram um roubo, mas não conseguiram despistar as investigações policiais. 

O delegado Cicero Túlio, titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículo (DEFRV), que coordenou a operação “Néphila”, a viúva era a responsável pelo processo de inventário  e queria, junto com a filha, se beneficiar sozinha do patrimônio antes de haver autorização judicial e a aprovação dos outros familiares que teriam direito aos lucros dos bens.  

“Elas visavam, com base na falsa comunicação de crime, influenciar nas decisões proferidas no processo e nos pareceres lavrados pelo Ministério Público, fazendo com que o juiz acreditasse que as armas tinha sido, de fato, subtraídas durante o suposto roubo”, explicou Cicero Túlio.

Para tentar dificultar as investigações, as suspeitas teriam usado até aplicativos de espionagens para evitar que conversas fossem interceptas pelas policias. Elas planejaram apagar atos comprometedores dos telefones. E combinaram discrição quanto assuntos tratados pelo celular para não levantar suspeitas sobre os fatos. 

Após a descoberta da trama, a polícia conseguiu recuperar 36 armas. Cicero informou que diversos atiradores desportivos, que compraram parte do armamento, há dois anos, foram ouvidos na delegacia e comprovaram a boa-fé na aquisição das armas vendida clandestinamente pela viúva. 

“Conseguimos levantar informações que a viúva chegou a vender a mesma arma para mais de uma pessoa, que teve lucros com essa prática criminosa.”, disse. 

O titular da DERFV destacou as investigações irão continuar
O titular da DERFV destacou as investigações irão continuar | Foto: Daniel Landazuri

As autoras responderão por falsa comunicação de crime, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica e estelionato. Porém, a Justiça negou o pedido de prisão temporária das três.

A polícia conseguiu cumprir apenas os mandados de busca e apreensão. No total, três celulares, três notebooks utilizados pelas mulheres foram apreendidos.

O titular da DERFV destacou as investigações irão continuar para tentar identificar a participação de outros envolvidos e recuperar o restante do arsenal.

As pessoas que adquiriram os armamentos devem procurar imediatamente a delegacia especializada, para realizar entregas das mesmas, ou poderão responder processo de receptação e, caso sejam atiradores desportivos, poderão perder o Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Esportivo e Caçador, inclusive com remoção de eventuais armas que faças parte dos seus acervos. 

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