Jovem confessa que agredia e apagava cigarros na avó de 76 anos

por Naief Queiroz

Maria Stella Vasconcellos da Silva, de 76 anos, a avó de Mateus da Luz, 21, preso no sábado (21) por agredi-la, “temia represálias do neto”. A constatação é do delegado Felipe Santoro, titular da 13ª DP (Ipanema), que também responde pela 14ª DP(Leblon). Segundo Santoro, o medo da idosa era o de que, ao voltar ao convívio com o neto dentro de casa, ele pudesse machucá-la ainda mais. Não à toa, ela tentou minimizar as agressões, mas o próprio Mateus confessou os maus-tratos.

— Ela se sentia culpada pelas agressões e temia represálias, caso ambos retornassem à mesma residência — explicou o delegado. — Contudo, Mateus da Luz confessou, friamente, que praticava os fatos e alegou que tudo isso ocorria por culpa da avó, que não vinha lhe dando suporte financeiro. Inclusive, narrou que apagava cigarros na pele da idosa — disse Santoro.

A vítima, por sua vez, tentava inocentá-lo:

— A versão da idosa não é fidedigna. Há nítido intuito de inocentar o neto, não por má-fé, mas, sim, por grande temor e por uma falsa percepção dos fatos, gerada por uma sensação de culpa, imposta pelo próprio autor — afirmou o delegado.

Mateus foi flagrado por câmeras do circuito interno de segurança, no elevador de um prédio de classe média alta no Leblon, onde mora com Maria Stella, jogando água na cabeça da avó. As imagens mostram ainda ele esmurrando o painel do elevador. O caso ocorreu na última quinta-feira. O rapaz é filho de criação de Maria Stella. Ele possui cinco registros como adolescente infrator, seis já na maioridade, de acordo com sua ficha de vida pregressa. A lista de delitos é extensa. Constam crimes de dano, ameaça, lesão corporal e injúria. Além de já ter agredido a avó antes, em 2017, no ano passado, ele chegou a bater na mãe biológica.

Preso após flagrante

De acordo com laudo do Sanatório Rio de Janeiro, Mateus ficou internado por 20 dias na unidade, em setembro de 2017, para tratar de dependência química. De acordo com o documento, datado de novembro do ano passado, ele tem transtorno de personalidade antissocial, “o que o torna muito impulsivo”.

O delegado explicou que serão realizadas novas diligências sobre o caso:

— Chamaremos porteiros e moradores para melhor esclarecimento dos fatos. A vítima prestará um novo depoimento que, desta vez, contará com acompanhamento psicológico.

Sobre o laudo de exame de corpo de delito na vítima, Santoro explicou que as equimoses e escoriações no corpo de Maria Stella não são compatíveis com arranhões de um cachorro, como ela alegou.

— A idosa era submetida a intenso sofrimento físico e mental há algum tempo. O fato já vinha sendo, inclusive, notado por vizinhos e porteiros, que percebiam as lesões na idosa. A vítima passava grande parte do tempo na portaria, evitando ficar em sua própria residência com o Mateus — disse Santoro.

O delegado informou ainda que todos os órgãos de proteção à mulher e ao idoso foram acionados para dar suporte assistencial e psicológico à Maria Stella.

— A vítima poderia se sentir culpada pela prisão de alguma forma — concluiu ele.

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