Saúde anuncia acordo com Butantan por 46 mi de doses da CoronaVac até abril

por Naief Queiroz

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou hoje que assinou um contrato com o Instituto Butantan, em São Paulo, para receber 46 milhões de doses da CoronaVac até abril e mais 54 milhões até o fim do ano, chegando a um total de 100 milhões. A vacina, que demonstrou 78% de eficácia contra a covid-19 nos testes, é produzida pelo Butantan junto à chinesa Sinovac Life Science.

“O Butantan, se não é o primeiro, é o segundo maior fornecedor do ministério. Compramos algo em torno de R$ 2 bilhões em vacinas do Butantan por ano, somos o grande cliente do Butantan, que é uma instituição de Estado”, enfatizou o ministro, que também exaltou a relação do governo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

O anúncio de Pazuello foi feito durante coletiva no Palácio do Planalto sobre a medida provisória editada ontem por Bolsonaro relativa à compra de insumos e vacinas contra a covid-19. A MP possibilita, entre outras mudanças, a aquisição de vacinas em fase de desenvolvimento e antes do registro sanitário ou de autorização de uso emergencial pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Também participaram da coletiva o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco; o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros; e o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto.

A produção da CoronaVac virou um embate político entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Bolsonaro tem demonstrado resistência à vacina e já disse mais de uma vez que não pretende se imunizar contra a covid-19.

CoronaVac tem eficácia de 78%

Pela manhã, o Instituto Butantan anunciou que a eficácia da vacina CoronaVac é de 78%. O governo disse também que já iniciou o pedido de uso emergencial do imunizante à Anvisa e que espera que o rito para submissão (como é chamado formalmente o pedido de uso) seja finalizado entre hoje e amanhã.

A Anvisa, por sua vez, afirma em nota que ainda não houve pedido, e que terá outros encontros até que o processo seja concluído.

Enquanto isso, Bolsonaro manteve o tom crítico contra as vacinas para a covid-9. Ao falar com apoiadores, o presidente criticou a aprovação de vacinas para uso emergencial e disse que a maioria da população não pretende ser imunizada desta forma.

“Ninguém pode obrigar ninguém a tomar algo que você não tem certeza das consequências. Alguém sabe quantos por cento da população vai tomar vacina? Pelo que sei, menos da metade vai tomar vacina. Essa pesquisa eu faço na praia, na rua e em todo lugar. Mas para quem quiser vacinar, em janeiro vai ter. Deve chegar 2 milhões de doses em janeiro. O pessoal pode tomar”, afirmou.

Uma pesquisa recente do Datafolha, porém, mostrou que 73% dos brasileiros pretendem se vacinar contra a covid-19.

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