Na Europa, Jean Wyllys reclama de solidão afetiva e exílio político

por Naief Queiroz

Fora do Brasil desde 2019, quando se intensificaram os ataques e as ameaças de morte, Jean Wyllys vive com o constante sentimento de solidão. O ex-deputado federal dá aulas, investe em pesquisa, para o seu doutorado, sobre o impacto das fake news na política e alivia o tempo desenhando e curtindo a companhia de um cachorrinho adotado.

“Daí veio o exílio, que foi muito importante porque tem me mantido protegido, me mantenho vivo, mas também é uma forma de solidão. Foi um afastamento dos meus amigos, da minha família, do meu país, das minhas paisagens, da minha língua, para continuar vivo. Isso provoca uma contradição. Para completar, de 2019 para 2020 a gente começou a viver uma pandemia. Dentro desse isolamento, dessa solidão do exílio, veio outra solidão, que é a solidão da pandemia, de ser um homem só, de viver só, e aí o meu cachorrinho veio como parte desse enfrentamento”, disse Jean Wyllys em entrevista à “Agência Diadorim”.

E esse sentimento de viver como um homem solitário já o acompanhava desde que venceu o “Big Brother Brasil 5” e, mais tarde, decidiu se tornar deputado federal.

O baiano detalha essa solidão ao explicar como suas atitudes que poderiam ser cotidianas, como beijar alguém em público, poderia se tornar como arma para critica-lo.

“Muitos homens públicos heterossexuais brasileiros têm amantes ou mantêm segundas famílias, frequentam clubes, e isso não é um problema para eles, porque o mundo é da dominação masculina. Se eu fosse visto numa sauna gay e se alguém me filmasse, seria outra história. Sobre um homem gay, essas questões pesam como pesam sobre uma mulher. Uma mulher está sendo policiada na vida privada para que isso vire um escândalo na vida pública dela”, afirma.

*Com informações do Extra

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