Venda de instrumentos musicais dispara na pandemia e atrai gigantes como Magalu e Amazon

por Naief Queiroz

Com mais gente atrás de um hobby ou uma atividade para relaxar e manter a saúde mental, a venda de instrumentos musicais saltou na pandemia. E os grandes varejistas estão de olhos bem abertos para essa demanda. Há pouco mais de uma semana, a Amazon lançou sua loja para o segmento no Brasil.

Agora, o Mazine Luiza inova com uma plataforma em parceria com o Deezer, serviço de streaming de áudio. É um passo adiante no boom de vendas digitais também impulsionado pela Covid-19, usando uma plataforma de mídia para atrair usuários e gerar vendas.

— A pandemia acelerou tendências que já existiam. Uma delas é a de ser “fígital”, porque não é mais possível definir limites entre o físico e o digital. A outra é que as marcas devem atuar cada vez mais como plataformas de conteúdo, usadas para criar proximidade e diálogo com o publico. A partir daí, as vendas acontecem dentro de um contexto, não pela exposição em uma mera vitrine — avalia Bianca Dramali, professora de pesquisa e comportamento do consumidor da ESPM.

A investida das varejistas se justifica. Em 2020, as vendas de equipamentos de streaming, livros, games e instrumentos musicais cresceram 40,04% em faturamento, segundo pesquisa do Itaú sobre as mudanças que a Covid-19 trouxe aos hábitos de consumo no país.

O levantamento considera compras realizadas com cartões de crédito e débito do banco, além de transações feitas por sua empresa de meios de pagamento, a Rede.

É movimento que mexeu com os grandes dessa indústria. A americana Fender, por exemplo, uma das maiores fabricantes de instrumentos musicais do mundo, anunciou já em setembro que 2020 seria o melhor ano em vendas da História da marca.

No ano passado, o Magalu trabalhou captando vendedores de instrumentos musicais para seu marketplace. Agora, trabalha para impulsionar o crescimento da rede de mais de mil vendedores, oferecendo mais de 110 mil produtos, que alcançou até aqui, explica Rafael Montalvão, diretor de marketing e-commerce da varejista:

— O Decifrei é um projeto iniciado no início de 2020, portanto antes da pandemia. Ele não está dentro do super app do Magalu. É um novo formato de mídia de publicidade, que vai gerar tráfego para o Magalu numa categoria em que temos pouco know-how e presença de mercado, inserindo a experiência de compra. Com isso, já prevemos aumento na venda de instrumentos musicais.

Montalvão não abre números de investimento tampouco de previsão de incremento nas vendas de instrumentos musicais. Em 2020, contudo, a varejista viu as vendas do segmento mais do que quintuplicarem na comparação com o ano anterior.

Entre os instrumentos mais procurados estão violão e teclado, com outros como o ukulele ganhando destaque.

Projeto poderá ser replicado

A plataforma Decifrei funciona dentro do Deezer. E basicamente usa a própria música para impulsionar a venda de instrumentos. Ela foi desenvolvida ao longo de um ano, sempre discutida entre os parceiros, com idealização da agência Ogilvy.

Na prática, traz um conjunto de playlists organizadas por temas ou gêneros, como rock, Anos 90 e outras. Para o usuário, a experiência é similar a de ouvir músicas pelo streaming.

A diferença é que a curadoria do Decifrei permite ouvir hits de artistas como Anitta e Cazuza ou de bandas como Queen e Iron Maiden, e visualizar os instrumentos e equipamentos usados naquele sucesso.

A partir daí, pipocam na tela de microfones a guitarras e baterias, com links direto para a compra daquele item ou similar pelo Magalu.

Stefan Habergritz, à frente da área de publicidade do Deezer Brasil, define a plataforma como uma ação que inclui a experiência de compra “dentro de grandes hits da música”.

A última Black Friday já dava provas de como os grandes players estão dispostos a explorar novas mídias casadas com as vendas digitais. Via Varejo, Aliexpress e o próprio Magazine Luiza investiram em atrações musicais para impulsionar o resultado na data promocional do calendário do varejo.

— Há uma multiplicidade de novos canais e ferramentas de presença digital que serão melhor explorados e vão colaborar para impulsionar vendas. É preciso lembrar que há uma ressignificação do consumo em curso. As pessoas levam uma série de fatores em conta na hora de comprar — pondera Bianca.

A Amazon colocou no ar sua loja de instrumentos musical no Brasil, com uma seleção de mais de 60 mil itens, incluindo artigos de marcas como Fender, Yamaha e Shure. Com o início da operação, optou por oferecer descontos de até 20% para atrair o consumidor brasileiro.

Montalvão conta que, se o novo formato for bem-sucedido, poderá ser adaptado e replicado em outros segmentos:

— Se funcionar em receita e performance, abre um leque para estudar outras categorias em que isso pode ser feito — conclui ele.

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