Wilson Lima é o nosso Odorico Paraguaçu

por Naief Queiroz

José Melo já foi o símbolo da corrupção sistêmica no Amazonas. Isso nem faz muito tempo, muitos ainda possuem na memória o governador que foi preso por corrupção na Saúde. Porém, hoje quase ninguém mais se lembra da operação Maus Caminhos do ‘Zé Melo’ e do senador Omar Aziz, que foram os vilões número 1 do Amazonas. Hoje, ninguém é capaz de sentir por eles a mesma mistura de rejeição e nojo do que o atual governador Wilson Lima desperta no povo amazonense.

Repulsa
Wilson Lima desperta no povo amazonense o mesmo sentimento de repulsa que no passado Paulo Maluf despertou no País. Lima é o símbolo máximo da nossa ignorância, é o reflexo da nossa estupidez e burrice. Wilson Lima é o nosso Forrest Gump, o herói-babaca e sem causa. Lima se tornou um caso raro de pessoa que se orgulha de sua própria burrice. Nelson Rodrigues dizia que “a burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza”. Wilson não é inquieto do ponto de vista intelectual. Wilson Lima é burro mesmo e, na burrice, o erro é sempre do outro.

Ignorância
Paulo Maluf foi um gigante na arte de “afanar” os paulistas. Mas, Wilson Lima é apenas burrice no poder. Maluf já foi o nosso demônio de plantão. Lima é o nosso Odorico Paraguaçu, é a síntese mais profunda da nossa ignorância. O genial Dias Rosas plasmou num personagem todos os trejeitos do governador do Amazonas. Sua grande marca, a retórica ao mesmo tempo cafona, grandiloquente e vazia de seus pronunciamentos. Com Wilson no poder, a burrice ganhou status de sabedoria. Maluf virou verbo, sendo que “Malufar” era sinônimo de “roubar”. Wilson Lima virou cleptomaníaco em um discurso memorável do Conselheiro do Tribunal de Contas, Ari Moutinho Júnior.

Prisão
A imagem de um senhor de 80 anos com a voz tímida dizendo “sim senhor” para um delegado federal e sendo levado à prisão por desviar mais de R$ 100 milhões da Saúde do Amazonas, foi o símbolo máximo de quem vê cara, não vê coração. José Melo venceu a eleição com a imagem do “bonzinho e humilde”. O “Zé Melo” derrotou o “arrogante” Eduardo Braga. O marketing e os arranjos políticos da ocasião fizeram com que Zé Melo, o “velhinho” de voz baixa e humilde, aplicasse um estelionato eleitoral na população.

Marketing
No fundo, José Melo e Wilson Lima são mais ou menos, a mesma coisa dentro dos frascos e rótulos. O marqueteiro só mudou a embalagem para satisfazer o consumidor (eleitor). O mestre Jorge Amado personificou em carne, osso e reflexão essa máxima. Quem lembra da dona Flor e seus dois maridos? Amamos o boêmio Vadinho, mas sentimos segurança no arrogante comerciante Teodoro. O povo é como a dona Flor: tem paixão por Vadinho. O problema é que estamos vivendo de pós paixão. A paixão acabou. É melhor o povo se casar com o arrogante Teodoro.

Desvio
Desviar dinheiro público é um crime imperdoável e a punição para o autor tem que ser implacável. Comemorei a prisão de José Melo, assim como comemorei a prisão de todos os envolvidos na “Operação Maus Caminhos”. Vou comemorar também a prisão de Wilson Lima e de todos que compactuam com a morte de inocentes durante a pandemia de Covid-19. Há um velho ditado que diz “a Justiça tarda, mas não falha”. Maluf e José Melo são exemplos disso.

*Jornalista e apresentador do AMAZONAS DIÁRIO

Fonte: D24am.

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