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Amazonas

‘É ladrão que rouba ladrão’, diz Carlos Almeida

O governador do Amazonas em exercício, Carlos Almeida Filho, explicou, na manhã desta sexta-feira (23), as causas que o levaram a exonerar o ex-secretário de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), Louismar Bonates, na última quinta-feira (22). “Nós estamos com um Estado extremamente complicado, (…) num verdadeiro estado de coisas inconstitucionais. Nós vemos a saúde pegando fogo, todos os demais setores pegando fogo, mas há uma outra pauta, que é a situação referente a segurança pública, principalmente depois do que ficou deflagrado com a operação Garimpo Urbano“.

Por telefone, durante entrevista ao programa DIÁRIO DO MANHÃ, da RÁDIO DIÁRIO 95,7, Almeida disse que, segundo as investigações, “dentro da Secretaria de Segurança Pública existe a utilização do aparelhamento do Estado para a prática de crimes, e os crimes são gravíssimos, porque utilizou-se a estrutura da Secretaria de Segurança para poder fazer roubo de bandidos. É ladrão que rouba ladrão, e isso deixa a secretaria extremamente comprometida”.

Questionado se tem receio quanto a sua segurança, ele negou ter medo e tachou o governador de “delinquente que está aprendendo a ser trombadinha”

“Não tenho receio nenhum. Se eu tivesse receio de executar os atos que eu acho correto eu sequer teria entrado na política ou seria defensor. (…) Diversas vezes, enquanto defensor, eu sofri ameaças na minha segurança. Fui ameaçado de morte diversas vezes, tive que andar com segurança enquanto defensor. E isso porque eu trabalhava em defesa da população, enfrentando situações extremamente gravíssimas. Eu não vou ter medo de um delinquente, que tá (sic) ainda aprendendo a ser um trombadinha, que é o que tá aparecendo nas páginas policiais do Brasil inteiro”.

Em outro trecho da entrevista, Carlos Almeida citou as investigações da operação sangria.

“O Ministério Público Federal (MPF), investigando os fatos da operação Sangria, que fala sobre os escândalos que acontecem na saúde, aponta que existem crimes que circundam o Hospital de Campanha Nilton Lins e a instalação que aconteceu no início deste ano. E o ministro diz que é de se espantar que a quadrilha comandada pelo governador continue delinquindo mesmo com as investigações pendentes. No caso da operação Garimpo Urbano, o Ministério Público, através do Gaeco, deixa claro que a utilização da Secretaria de Segurança e de um dos secretários mais sensíveis, que é o secretário de Inteligência, que é a pessoa que está intimamente conectada ao governador, estava utilizando da estrutura do Estado para que pudesse praticar crime. O que é isso, se não quadrilha?”, destacou.

Ataques de violência em Manaus
Segundo o vice-governador, os ataques que aconteceram em Manaus no início do mês de junho apontam para uma atuação “extremamente nebulosa” da SSP, em especial de Louismar Bonates. Na ocasião, a cidade foi tomada por uma onda de crimes, após a morte de um traficante. Ônibus do transporte público, agências bancárias, delegacia e escola foram incendiados por criminosos. Os atos também aconteceram  em cidades do interior do Amazonas.

A exoneração de Bonates por Carlos Almeida, aconteceu durante uma viagem do governador Wilson Lima (PSC). Almeida justificou a medida como forma de dar exemplo ao que deveria ser feito por Lima diante do caos na segurança pública no Estado.

“Era obrigação do governador do Estado do Amazonas, a despeito de toda sua falta de conhecimento da administração ou deficiência de gerenciamento, fazer uma medida de moralização e dar o exemplo de que não concorda com a atuação irregular do funcionamento da máquina do Estado; e por isso deveria, como exemplo, ter feito a exoneração do seu secretário (…) E não fazendo isso é obrigação de qualquer um tomar essa providência”, defendeu o vice-governador, que também é defensor público do Estado.

“Eu estando governador em exercício, eu deveria ter feito o que era correto. E a minha obrigação seria dar a demonstração ou fazer o que o óbvio (…) e fiz a exoneração do secretário de segurança”, declarou Carlos Almeida.

O vice-governador esclareceu que sua determinação foi tomada com base nas atribuições que lhe são conferidas pela Constituição do Estado, e criticou a decisão de Wilson Lima em suspender a exoneração de Bonates. “O governador atropela os requerimentos constitucionais e susta um ato legítimo e constitucional meu. Aí já cabe a ele explicar por que que ele defende tanto um secretário envolvido em tão escandalosas situações”.

Viagens
Durante a entrevista, Carlos Almeida afirmou que rompeu politicamente com Wilson Lima, em maio de 2020, e que desde a ruptura o governador não dá satisfações de suas inúmeras e superfaturadas viagens, já denunciadas pelo GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC).

“O governador não avisa de nenhuma de suas viagens. O governador já viajou pra diversos pontos do Brasil, já passou inclusive dias sem estar no Estado do Amazonas e sequer avisou pra população ou pra qualquer uma das instituições que viajou. (…) O Amazonas já ficou acéfalo diversas vezes, sem comandante segurando o timão. Então essa é uma questão que ele deve explicar e deve prestar conta de quantas viagens já fez para o Estado, nesses últimos 12 meses, sem ter comunicado absolutamente ninguém. Afinal de contas essa é sua obrigação. O Estado não é seu quintal”, finalizou.

Fonte: D24am.

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